|
Rentabilidade
das exportações do Brasil é a menor
12/10/2009 - Exportar se tornou um mau negócio no Brasil.
A rentabilidade das exportações está no menor
patamar de sua história. O real valorizado derrubou o indicador
da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior
(Funcex) para o nível mais baixo desde 1985, quando a série
começou a ser calculada.
As
empresas relatam que a demanda externa começou a se recuperar
lentamente, depois da queda abrupta nas vendas provocada pela crise
global. Os preços dos produtos embarcados pelo País
também tiveram uma pequena alta, puxados pelo desempenho
das commodities. Mas o real valorizado anulou os ganhos.
"Se
não fosse pelo câmbio, as exportações
seriam até bastante positivas", disse a diretora de
exportação da A. Grings, dona da marca Piccadilly,
Micheline Grings Twigger. Segundo ela, a fabricante de calçados
gaúcha percebe uma movimentação do mercado,
mas o câmbio deixou seus produtos fora do preço ideal.
"Para recuperar os mercados que perdemos, um preço competitivo
era essencial."
O indicador
de rentabilidade da Funcex é calculado com base na taxa de
câmbio, nos preços das exportações e
em uma estimativa de custo das empresas. Em agosto, o índice
estava 3,9% abaixo de julho e 11,6% abaixo de agosto de 2008. Segundo
Fernando Ribeiro, economista-chefe da Funcex, uma projeção
preliminar aponta mais uma queda da rentabilidade da exportação
de 1% em setembro.
"As
perspectivas são negativas para as margens de lucro dos exportadores,
porque não sabemos para onde vai o câmbio. O Brasil
está muito atraente para os investidores. A tendência
de entrada de capital no País é significativa , o
que provoca a valorização da moeda", explica
Ribeiro.
O impacto
do real forte é mais complicado para os produtos manufaturados,
porque o mundo pós-crise está mais competitivo, com
menos compradores e mais vendedores. Para as vendas de commodities,
o Brasil possui um mercado praticamente cativo. O dólar fechou
cotado a R$ 1,737 na sexta-feira. Em relação ao início
do ano, o real acumula uma valorização de 34,4% em
relação à moeda americana.
As
exportações de manufaturados cresceram 10,3% em setembro
em relação a agosto. O aumento reflete o início
da reação dos mercados internacionais. No acumulado
do ano, no entanto, as vendas externas desses produtos registram
queda de 31,2%. No geral, as exportações brasileiras
caíram 25,1% de janeiro a setembro em relação
a igual período de 2008.
"Os
clientes nos Estados Unidos retomaram os pedidos, mas os europeus
ainda não. O problema é que recebemos cotações,
mas não conseguimos vender, porque não temos preço",
explicou o vice-presidente da Teka, Marcelo Stewers. Ele também
reclama das medidas protecionistas da Argentina, que prejudicam
as vendas em um mercado importante para a fabricante de produtos
de cama, mesa e banho. "Com esse câmbio, o Brasil está
caminhando para uma destruição do seu parque fabril
de manufaturados."
O câmbio
já esteve em patamares mais baixos do que agora e, mesmo
assim, os fabricantes brasileiros de manufaturados seguiram exportando.
Em 2008, por exemplo, o dólar chegou a bater R$ 1,55. Segundo
empresários e economistas, o problema atualmente é
que outros fatores não estão compensando a perda cambial.
No
ano passado, os preços de exportação subiram
26,3% em relação a 2007, puxados pelos produtos básicos,
cujas cotações avançaram 41,2%. Com a crise,
os preços despencaram. Em agosto deste ano, os exportadores
brasileiros vendiam, em média, seus produtos 23% mais baratos
do que em agosto de 2008. Nos manufaturados, a queda foi de 12,2%
- um nível importante, porque esse tipo de produto sofre
menos variação de preço que os básicos.
Depois
do ápice da crise, os preços de exportação
voltaram a subir a partir de maio, acompanhando a evolução
das commodities, mas a recuperação é lenta
e está sendo anulada pelo câmbio. Entre maio e agosto,
as cotações dos produtos exportados subiram 5,3%,
mas o real se valorizou 10%. "A competição aumentou
no mundo pós-crise e não há espaço para
reajustes significativos", disse José Augusto de Castro,
vice-presidente da Associação de Comércio Exterior
do Brasil (AEB).
A Eliane
Revestimentos Cerâmicos reajustou os preços para os
mercados externos em 5% em agosto. Foi o primeiro repasse do ano.
Segundo o gerente de exportação da fabricante de azulejos
e porcelanas, Márcio Muller, a alta foi insuficiente para
compensar o câmbio, mas, ainda assim, pode afugentar clientes.
"Qualquer reajuste agora gera redução dos negócios,
porque a economia está desaquecida. Mas não tivemos
escolha." O executivo prevê uma queda de 15% a 20% nas
exportações da empresa neste ano em relação
a 2008.
Segundo
Ribeiro, da Funcex, o câmbio atual e os preços de exportação
voltaram para os níveis de 2007. Mas a rentabilidade das
exportações está pior do que naquele ano, por
conta do aumento dos custos. Ele recorda que, nas vésperas
da crise, a inflação estava em alta no Brasil. Depois
da turbulência, os preços recuaram, mas menos do que
no exterior. No Brasil, o Índice de Preços do Atacado
(IPA) está 8,4% acima de dezembro de 2007.
Fonte:
Estado de SP. Adaptado pelo Celulose Online
|