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Exportações
em recuperação alimentam otimismo
10/10/2009 - Dados recentes de alguns países exportadores
mais importantes alimentaram a esperança de que o comércio
internacional esteja em recuperação, o que pode ser
o elo que falta na nascente recuperação econômica
mundial.
Brasil,
Coreia do Sul e Taiwan já divulgaram os dados do comércio
em setembro e todos mostraram expansão frente ao mês
anterior, embora o nível ainda esteja bem menor que os níveis
de um ano atrás. Apesar de os números mais recentes
não indicarem uma recuperação completa, confirmam
a tendência de melhora no comércio mundial nos últimos
meses.
"Parece
que há uma recuperação no comércio,
mas ainda é cedo para dizer se é resultado do estímulo
fiscal ou é espontâneo", disse Mark Matthews,
estrategista focado na Ásia e Oceania do banco de investimento
Fox-Pitt Kelton, em Hong Kong.
Um
dos fatores que dão suporte a essa hipótese é
que os mercados mundiais ainda estão esperando para ver se
uma demanda tardia na temporada de fim de ano pode levar os varejistas
dos países ricos a aumentar os pedidos.
Taiwan
informou esta semana que o valor total de suas exportações
caiu 12,7% em setembro frente a um ano atrás, um declínio
muito menor do que em agosto, quando foi de 24,6%. Semana passada
a Coreia do Sul divulgou uma tendência semelhante. O valor
de suas exportações caiu 6,6% frente a um ano atrás,
o menor declínio dos últimos 11 meses, e subiu a um
ritmo dessazonalizado de 11,1% em relação ao mês
anterior. As exportações brasileiras foram um pouco
mais altas em setembro do que em agosto, mas ainda estão
31% menores que o nível de 2008, devido, em parte, ao declínio
das commodities este ano.
Mas
nem tudo são boas notícias no mercado mundial. A Malásia
informou ontem que suas exportações caíram
19,8% em agosto frente a um ano atrás. Foi mais do que os
economistas esperavam e representa um declínio de 2% em relação
a julho.
A desvalorização
recente do dólar continua a dificultar a vida de vários
países que contavam com a recuperação do comércio
mundial para impulsionar suas economias. Especialmente o Japão,
que sofre com o encarecimento de suas exportações
causado pela valorização do iene. O Japão informou
ontem que as exportações voltaram a melhorar em setembro,
crescendo a um ritmo dessazonalizado de 3,2%. Mas ainda são
37,1% menores do que há um ano.
Até
pouco tempo atrás, a Coreia do Sul e Taiwan se beneficiavam
da relativa fraqueza de suas moedas durante a crise financeira.
Mas essa tendência está começando a mudar, à
medida que o dólar se desvalorização em relação
a um número crescente de moedas, e não só o
iene. Brasil, Coreia do Sul e Taiwan tiveram de intervir em seus
mercados cambiais nos últimos dias para desacelerar a valorização
de suas moedas em relação ao dólar. Se essas
moedas se desvalorizarem demais, podem prejudicar setores exportadores
que concorrem com a China, que manteve inalterado o câmbio
entre o yuan e o dólar.
Um
quadro mais completo sobre o comércio mundial deve surgir
nos próximos dias. Os EUA divulgam hoje seus números
do comércio internacional para agosto. A China divulga segunda-feira
os dados do comércio em setembro. O Fundo Monetário
Internacional calcula que o volume de comércio mundial vai
cair 11,9% este ano e crescerá 2,5% no ano que vem.
Uma
pergunta importante em relação ao comércio
mundial é se a demanda dos consumidores americanos e europeus
vai impulsionar uma corrida tardia às compras quando começar
a temporada de fim de ano, no mês que vem. Os pedidos para
o fim do ano tradicionalmente começam no meio do ano. Mas
este ano, os varejistas dos países ricos adiaram as decisões
até o último minuto ou estão fazendo pedidos
menores com mais frequência. Eles não querem uma repetição
do ano passado, quando os estoques permaneceram cheios enquanto
a demanda diminuía por causa da crise financeira.
"Tem
sido bem devagar", diz Andy Lau, que chefia a Calan Worlwide
Ltd., um pequeno exportador de Hong Kong de brinquedos e badulaques
para os EUA e Europa. Ele diz que os pedidos estão chegando
aos poucos mas ainda é muito menos que os níveis de
alguns anos atrás. Os pedidos de fim de ano ainda não
começaram a chegar e ele espera que os compradores finalmente
comecem a aparecer nas feiras e convenções de outubro.
Alguns
acreditam que os varejistas dos países ricos subestimaram
a demanda, o que cria as condições para uma corrida
de última hora no comércio internacional para a temporada
de compras de fim de ano.
Russell
Napier, estrategista global da CLSA Asia-Pacific Markets, acha que
as previsões negativas sobre a economia não se concretizarão
no curto prazo porque as empresas simplesmente estavam pessimistas
demais sobre o reabastecimento dos estoques. "Existe uma possibilidade
convincente de ocorrer escassez de brinquedos neste Natal",
diz. "As empresas cortaram demais os estoques".
Se
for assim, os próximos meses podem assistir a uma expansão
de última hora nos serviços de transporte aéreo
de carga. Até agora, contudo, isso não aconteceu.
Os carregamentos aéreos de Hong Kong para a América
do Norte, por exemplo, subiram levemente de março a agosto,
último mês cujos dados estão disponíveis.
Mas ainda estão muito menores que um ano atrás. Foram
transportadas 30 mil toneladas de carga para a América do
Norte em agosto, ante 35 mil ano passado e 40,5 mil em 2007.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado pelo Celulose Online
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