|
Para
FGV, alta da inflação não é generalizada
07/10/2009 - O avanço do Índice Geral de Preços
- Disponibilidade Interna (IGP-DI), que em setembro atingiu 0,25%,
o maior patamar desde os 1,09% de outubro do ano passado, indica
que o período de deflação chegou ao fim, estimulado
pela recuperação das economias global e brasileira,
mas não significa uma pressão generalizada de preços.
Salomão
Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto
Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas
(Ibre/FGV), considerou o avanço do IGP-DI em setembro um
desdobramento do reaquecimento da economia brasileira, sincronizado
com a retomada do crescimento global, com efeitos sobre os produtos
industriais.
A maior
parte do impulso de alta foi dada pelos preços do atacado,
uma vez que o Índice de Preços do Atacado (IPA), que
responde por 60% do IGP-DI, passou de 0,07% em agosto para 0,29%
em setembro. A alta, no entanto, ficou concentrada nos alimentos
processados, que passaram de deflação de 0,58% em
agosto para alta de 2,52% no mês passado.
Quadros
destacou que, dentro dos processados, o açúcar contribuiu
com dois terços da aceleração entre agosto
e setembro. O açúcar cristal subiu 19,04% no mês
passado, depois de uma alta de 5,62% em agosto, enquanto o açúcar
refinado avançou 16,38% em setembro, depois de avançar
1,52% em agosto. Outro destaque de alta foi a carne bovina, que
subiu 3,50% em setembro, depois de recuar 0,82% no mês anterior.
"O
aumento não é generalizado. Está em produtos
relacionados ao mercado externo", ressaltou Quadros, lembrando
que, no caso do açúcar, a alta está relacionada
à quebra de safra na Índia, agravada pelas chuvas
que atrasaram a colheita no Brasil.
Dentro
dos bens intermediários, o óleo de soja em bruto cresceu
1,11% em setembro, depois de cair 3,27% no mês anterior. Já
a celulose passou de uma deflação de 1,87% em agosto
para um crescimento de 5,56% em setembro.
Já
o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde
por 30% do IGP-DI, desacelerou para 0,18% em setembro, contra 0,20%
no mês anterior. A perda de ritmo foi influenciada pela alimentação,
que passou de alta de 0,40% para recuo de 0,11%. Entre os destaques
de desaceleração, os laticínios passaram de
deflação de 3,60% em agosto para queda de 5% em setembro;
as hortaliças e legumes ficaram com alta 0,74% no mês
passado, depois de um avanço de 3,35% em agosto; e as frutas,
que haviam subido 7,64% em agosto, avançaram apenas 4,92%
no mês passado.
Fonte
Valor. Adaptado por Celulose Online
|