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Demanda
por papéis retorna a patamares pré-crise
06/10/2009 - Considerado um dos setores que melhor pode medir
o desempenho da economia nacional, a indústria de papéis
dá sinais de que o Brasil já superou o momento mais
adverso da crise global e retomou patamares de atividade econômica
semelhantes aos vistos antes da quebra do Lehman Brothers, em setembro
passado. O levantamento da Associação Brasileira de
Celulose e Papel (Bracelpa) apontou que o consumo aparente de papéis
no País registrou em agosto a primeira alta de 2009 na comparação
com igual intervalo do ano passado.
O indicador,
calculado a partir da produção total, excluídas
as exportações e somadas as importações,
cresceu 0,3% em agosto. "O mercado melhorou e o ritmo de negócios
em julho e agosto foi muito melhor do que no mesmo período
de 2008", ressaltou o diretor comercial da International Paper
(IP), Nilson Cardoso. O consumo aparente no mês somou 747
mil toneladas. A constatação do executivo, referente
ao mercado de papéis de imprimir e escrever não revestidos
no qual atua a companhia, é confirmada pelo levantamento
da Bracelpa.
As
vendas domésticas do segmento, dividido em papéis
offset (para material gráfico) e cutsize (tradicional formato
A4), somaram 96 mil toneladas em julho, alta de 2,1% em relação
ao mesmo período do ano passado - a entidade ainda não
divulgou resultados de agosto detalhados por segmento. Outro mercado
que dá sinais de recuperação é o papelão
ondulado. Após registrar quedas consecutivas de janeiro a
julho, o indicador elaborado pela Associação Brasileira
do Papelão Ondulado (ABPO) cresceu 0,44% em agosto, em dados
preliminares, na comparação com igual intervalo do
ano passado. O volume vendido, de 193,97 mil toneladas, foi também
o melhor resultado para o mês de agosto desde a implantação
da nova base de cálculo do levantamento, iniciada em 2000.
De
acordo com o diretor da Unidade Papel da Suzano Papel e Celulose,
Carlos Anibal, o movimento de recuperação da demanda
por papel acontece em todos os segmentos de papéis. "Os
números do segundo semestre são bons e acreditamos
que podem melhorar ainda mais nos próximos meses", destacou.
Essa previsão, explica ele, está associada ao tradicional
aumento da demanda proveniente dos períodos de final de ano
e das compras previstas pelo governo federal em iniciativas como
o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).
A Votorantim
Celulose e Papel (VCP), que se uniu à Aracruz para a criação
da Fibria, também registra movimento consistente de recuperação
das vendas. "Agosto deu sinais de que a demanda já começa
a retornar a patamares pré-crise", afirmou o diretor
do Negócio Papel da Fibria, Marcelo Castelli. "Há
uma indicação de retomada da confiança",
completou. O executivo lembrou que um dos mercados que apresenta
maior recuperação é o de papéis couché,
fortemente afetado no início do ano. Esses papéis
usados na elaboração de materiais promocionais, por
exemplo, está aquecido devido à tentativa das empresas
de mostrar que a crise já passou e à intenção
de atrair novos consumidores em um momento de recuperação
da atividade econômica nacional, explicou Castelli.
Outro
segmento em expansão é o de papéis térmicos,
usados na impressão de faturas de compras feitas com cartão,
entre outras áreas. "Os mercados que apresentam melhor
desempenho são aqueles ligados diretamente ao consumo",
afirmou, referindo-se ainda à venda de embalagens. A perspectiva
de recuperação da demanda doméstica levou as
empresas brasileiras a intensificarem o ritmo de produção
no segundo semestre. O levantamento com resultados preliminares
da Bracelpa aponta que a produção total de papéis
no Brasil atingiu 814 mil toneladas no mês, alta de 1,4% em
relação a julho e de 4,4% sobre agosto de 2008. Este
foi o melhor volume produzido mensalmente pelo setor em 2009. Apesar
disso, a produção doméstica registra queda
de 2,1% sobre os oito primeiros meses de 2008.
A APP
do Brasil, subsidiária nacional do grupo sino-indonésio
APP, também apurou expansão de negócios em
seu escritório comercial, principalmente a partir de maio.
"Notamos que os clientes já estão mais confiantes
e dispostos a buscar alternativas para um mercado que está
em expansão", afirmou o diretor geral da empresa, Geraldo
Ferreira. A principal aposta da companhia, que registrou expansão
de 20% nas vendas no primeiro semestre deste ano frente a igual
período de 2008, é justamente se tornar uma alternativa
atrativa aos clientes nacionais.
Ferreira
destaca que o mercado editorial mostra recuperação,
seguindo a tendência de retorno dos anunciantes. O segmento
de livros, cuja demanda é por papéis de imprimir e
escrever offset, também dá sinais de retomada. "Nosso
grande desafio será fechar o ano com no mínimo os
mesmos 20% de crescimento visto no primeiro semestre", afirmou
o executivo, após lembrar que uma dificuldade a ser contornada
pelos importadores é o aumento do custo do frete, também
fruto da retomada da atividade econômica mundial.
Acompanhando
o movimento de recuperação da demanda, os preços
dos papéis já iniciam trajetória de alta. No
mercado há rumores de que o preço de papel cartão
terá aumento de 5% a 6% a partir deste mês. O preço
do papel não revestido também deve ser reajustado
até o final do ano, acompanhado dos preços do papelão
ondulado. As cotações de alguns papéis como
os especiais e de imprimir e escrever já foram reajustadas
no exterior.(AE)
Fonte:
Jornal Cruzeiro do Sul, adaptado pelo Celulose Online
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