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União
e Estados devem R$ 32 bi a exportadores
05/10/2009
- Segundo uma fonte governamental, essas são estimativas
informais que circulam na Receita Federal. Mas o órgão
contesta a validade de 30% a 40% desses créditos. Não
existe uma conta exata do montante porque as secretárias
da Fazenda dos Estados não contabilizam os créditos
em seus balancetes.
Segundo
José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação
de Comércio Exterior do Brasil (AEB), em média, empresas
que exportam mais de 35% do faturamento acumulam créditos
porque o valor dos tributos pagos na compra de insumos são
maiores do que os recolhidos nas vendas internas.
"O
Brasil é o único país cuja legislação
desestimula as empresa a aumentar a parcela de sua produção
destinada a exportação. Nenhuma empresa quer ficar
com o mico do imposto na mão", disse o executivo.
Setores
altamente exportadores, como processadoras de soja, fabricantes
de celulose e frigoríficos, possuem os maiores montantes
a receber. Mas os setores intensivos em mão de obra também
são bastante prejudicados porque a cadeia produtiva é
longa e os impostos são cobrados à medida que se agrega
valor ao produto.
Segundo
Welber Barral, secretário de Comércio Exterior, o
governo está fazendo um esforço para simplificar e
reduzir o prazo para a devolução dos créditos.
E negocia com os Estados a inclusão do ICMS no drawback verde-amarelo
- sistema que suspende o pagamento de impostos nos insumos adquiridos
internamente para produtos destinados à exportação.
Os
pleitos dos exportadores, no entanto, são mais amplos. Os
empresários pedem, por exemplo, o direito de compensar os
créditos no pagamento do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS). O pleito é antigo e tem pouca chance de sucesso,
por conta da queda da arrecadação. Procurados pelo
Estado, o Ministério da Fazenda e a Receita Federal preferiram
não se pronunciar.
Conforme
a presidente da Associação Brasileira de Celulose
e Papel (Bracelpa), Elizabeth Carvalhaes, o setor é dono
de R$ 900 milhões em créditos tributários a
receber dos governos estaduais. "O grande trauma é o
ICMS", disse. Os fabricantes de celulose e papel exportam entre
65% e 70% do faturamento.
Segundo
a executiva, a liberação de parte do montante seria
muito importante na crise porque o crédito para capital de
girou disponível no mercado diminuiu e ficou mais caro. O
setor também pede para interromper a geração
de crédito, isentado de ICMS as compras de insumos equivalentes
a exportações. Ela afirma ainda que a crise deve "motivar"
a criação de um Eximbank.
Para
os fabricantes de calçados, a alíquota do ICMS é
significativa, mas a recuperação do PIS e da Cofins
é mais complicada, principalmente para as empresas situadas
no Ceará, principal Estado exportador de calçados
do País, informa o diretor executivo da Associação
Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados),
Rogério Dreyer.
Segundo
o empresário, o setor gostaria de descontar esse crédito
no débito previdenciário, que representa um peso significativo
para as empresas, que são altamente empregadoras de mão
de obra. "Se isso acontecesse, solucionaria boa parte do problema,
mas hoje o maior problema da exportação é o
câmbio. O fabricante brasileiro não tem preço",
disse.
Para
o presidente da Associação Brasileira da Indústria
do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Diaz Fernandez,
o maior problema do setor de móveis é o acúmulo
do crédito de IPI. "Temos um valor grande que não
é utilizado. Estamos propondo ao governo para compensar no
pagamento de outros impostos como o INSS", disse. Também
neste caso o pleito é antigo e tem pouca receptividade.
Sem
conseguir aumentar a competitividade da exportação,
os fabricantes de móveis estão pedindo ao governo
incentivos para o mercado interno. Segundo Fernandez, o setor está
negociando com a Fazenda a redução do IPI para zero
por seis meses. Ele afirma que benefício semelhante concedido
aos produtos da linha branca prejudicaram as vendas de móveis.
"O consumidor compra a geladeira e deixa para trocar de armário
depois", disse.
Fonte:
informações são do jornal O Estado de S.Paulo
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