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Fórum
da Anave avalia efeitos da crise no setor
Por
Luciana Grili
29/09/2009
- A Associação Nacional dos Profissionais de Venda
em Celulose, Papel e Derivados (Anave) realizou nesta terça-feira
(29), no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo, capital, a 34ª
edição de seu fórum anual, que neste ano apresentou
o tema "O que mudou no setor de celulose e papel".
O evento
reuniu cerca de 200 de pessoas com os principais representantes
do mercado editorial e gráfico e do setor de celulose e papel,
tanto na mesa debatedora como na plateia. A abordagem dos profissionais
tentou responder à pergunta central da temática desta
edição do fórum: "O que mudou no setor
de papel e celulose?. As respostas foram divergentes, mas um tom
de otimismo ficou no ar. O presidente da diretoria executiva da
Anave, Theo Borges, disse que saiu confiante depois de saber que
o mercado editorial só cresce, que as gráficas já
sentem novo movimento de produção, apesar do setor
de celulose ainda estar bastante cauteloso. "Quem usa o papel,
leva o setor a produzir mais. É na ponta que se vê
o consumo". O vice presidente da Anave, Edemir Faceto citou
a postura do BNDES - que já dispõe de linhas de financiamento
para estimular o setor florestal - como um caminho. "Fiquei
surpreso com a fala de Rodrigo Kalinowski. Ele afirmou que o mercado
nacional tem dinheiro sim e sinalizou que as empresas brasileiras
precisam ficar espertas, pois senão quem levará o
dinheiro são empresas de fora", comenta.
A
crise já passou?
Uma das grandes discussões do fórum foi tentar decifrar
a incógnita se a crise econômica já passou ou
não e como as companhias ficaram neste contexto. O clima
foi bastante dividido. Para o mercado editorial e gráfico,
a sensação é de euforia com números
e resultados que empolgaram a plateia. A sensação
para quem assistiu é que a crise já passou por aqui.
O número de revistas lançadas neste ano, a performance
dos jornais e o crescimento dos livros foram dados que comprovaram
a reação das empresas diante da crise. Já para
os profissionais do setor de celulose e papel, há restos
de efeitos negativos, que parece ainda estar em ação
no Brasil, afetando diretamente o setor.
A avaliação
dos profissionais segue a dualidade dos economistas brasileiros.
Uns defendem que o pior já passou e outros alardeiam muita
cautela para todos setores. Para o economista da Fundação
Getúlio Vargas (FGV) Paulo Sandroni, que fez parte de uma
das mesas debatedoras do dia, a crise teve seus aspectos positivos.
"Toda crise destrói as estruturas da economia e depois
quando as empresas se recuperam retornam para o mercado com novos
produtos, novas tecnologias", explica o economista. Sandroni
também explicou à platéia que as crises são
cíclicas na história e que após todo momento
de expansão há sempre um período momento de
queda. "Isso é normal, desde que essa queda seja controlada",
diz.
O economista
narrou uma retrospectiva da crise nos EUA e no mundo e pontuou que
os governos foram molas mestras na contenção da crise
em cada país. "O governo americano salvou muitas empresas
que estavam prestes a quebrar, com isso a crise não se alastrou",
comenta. Segundo ele, o que ocorreu é que o sistema financeiro
foi salvo. "Cada país fez seu programa de salvamento
e conseguiu estancar a sangria do seu modo, daí o mundo está
tendo condições para que ajam recuperações
no tempo certo", complementa.
Paulo
Sandroni analisou que no Brasil tem-se essa sensação
de que a crise acabou, porque aqui os efeitos não foram tão
profundos e o governo teve iniciativas que fizeram o país
sair da crise mais rápido. "Os bancos brasileiros tiveram
sua saúde financeira, pois emprestavam a juros muitos altos,
para um cliente que sempre pagou - o próprio governo".
Salvo o sistema financeiro, ele comentou que havia a necessidade
de se salvar o sistema produtivo e foi o que aconteceu. "Os
economistas do governo são muito competentes e como agiram?
Salvaram o consumo, aumentando significadamente o salário
mínimo e também com uma linha de programas assistenciais",
explica.
Já
quanto à taxa de câmbio, o economista alertou que há
sim conseqüências nas exportações e importações.
"Agora vai ser mais difícil exportar, enquanto a taxa
de câmbio se mantiver num nível valorizado como está
hoje". Para ele, o futuro vai reservar uma situação
bastante longa para a questão cambial, em função
da entrada muito forte de dinheiro no exterior.
Isso
reflete bastante no mercado de celulose e papel. O cenário
é de uma retracão no comercio internacional em torno
de 12% e a expectativa é que o PIB mundial caia e quem sabe
o Brasil mantenha-se entre zero e um por cento, apresentou a presidente
executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel,
Elizabeth de Carvalhaes. "A travessia do Brasil foi menos impactante
e perdemos um pouco de espaço na área internacional",
diz. Em contrapartida, a executiva comentou que o setor está
sim mais otimista no que se refere a volume de produção.
"Temos a missão de fechar 2009 com o mesmo nível
de produção aplicado em 2008", comenta.
Fonte:
Celulose Online
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