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Otimismo
X Pessimismo: Fórum Anave divide opiniões
Por Luciana Grili
29/09/2009
- Teve início na manhã desta terça-feira (29)
e terminou no final da tarde, a 34ª edição do
Fórum Análise de Mercado da Associação
Nacional dos Profissionais de Venda em Celulose, Papel e Derivados
(Anave).
No
período da manhã, as oito palestras dos painéis
mercado editorial e conversão, que fizeram parte da programação,
sinalizaram um clima de otimismo com relação à
situação do mercado neste momento - que muitos economistas
já denominam como pós-crise.
O evento
teve início por volta das 9h com abertura do presidente da
diretoria executiva da Anave, Theo Borges. Para ele, muitos economistas
apregoam que o país já saiu tecnicamente da recessão,
com a divulgação oficial do resultado do PIB brasileiro
do 2º trimestre do ano, comparativamente ao trimestre imediatamente
anterior, positivo em 1,9%. "Isso porque vinha de quedas sucessivas
nos dois trimestres anteriores (-3,4% no 4º trimestre de 2008,
e -1% no 1º trimestre de 2009 - dados revisados), o que então
configurava um quadro recessivo.
Segundo
Borges ainda, outros economistas ainda se mantêm cautelosos
e chegam mesmo a dizer que a crise e a recessão não
passaram, pois ainda os fatores macroeconômicos mundiais,
principalmente, estão muito vulneráveis. "E nós,
que não somos economistas, nos vemos envolvidos em um número
infindável de informações, mas estamos interpretando
isto e sentindo o que realmente está se passando, no que
eu chamo de "mundo real".
Theo
Borges comentou que já vê sinais de recuperação
nos diversos setores da economia que impulsionam o país,
como a siderurgia, indústria automobilística e algumas
"commodities", "porém muito desta recuperação
ainda não chegou a vários setores. Nós que
vivemos a realidade das empresas ligadas ao setor de papel e celulose
sentimos que os negócios caminham ainda lentamente para uma
recuperação efetiva", avalia o presidente da
entidade.
No
período da manhã participaram da discussão
os profissionais João Scortecci, da Scortecci Gráfica
e Editora, a diretora executiva da Associação Nacional
de Editores de Revistas (Aner), Maria Célia Furtado; Ricardo
Pereira, representante da Associação Nacional de Jornais
(ANJ) e os convidados Luis Eduardo Mendes da Câmara Brasileira
do Livro; Marcello D'Angelo do Jornal Metro e Pedro Renato Eckersdorff
da Anatec, que foi presidente da mesa.
"Falar
de futurologia é mesmo quase que ter uma bola de cristal.
Hoje há um movimento digital vindo muito forte, o que influencia
o mercado editorial, mas felizmente o IBGE mostra números
bastante confortáveis, a população vem crescendo
e há também uma ascenção da classe C
no país", comemora Maria Célia Furtado da Aner.
A executiva mostrou um panorama de crescimento no mercado de revistas
impressas, principalmente as lidas pela classe C. "O crescimento
da classe C começou a mexer com mercado das populares. Isso
teve início com a revista Ana Maria, publicação
popular com preço de capa a R$ 1,00 a R$ 2,50". Ela
comentou que este é um filão muito novo de consumidoras
que passam a participar do mercado editorial e apresentou uma expectativa
de se ter bons resultados em 2009. "Segundo a última
divulgação do IVC, tivemos bons motivos para crescimento".
Mercado
de celulose e papel
Já no período da tarde, a abordagem apontou um quadro
mais realista e desenhou que o Brasil ainda enfrenta a crise e dribla
seus efeitos, apesar de ter muitas vantagens em relação
a outros países. Para o professor de economia da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), Paulo Sandroni, neste cenário
todo da crise, cada país fez seu programa de salvamento.
"O Brasil saiu mais rápido da crise ou a crise não
foi tão profunda aqui, já que outros países
sofreram muito mais", coloca o professor. Sandroni avaliou
que a indústria brasileira retrocedeu muito neste ano diante
do contexto da crise, mas profetizou que o setor vai ter condições
de se recuperar no ano que vem. "O nível de consumo
está se recuperando, o que falta é confiança
para estimular o consumo imediato e recuperação nos
investimentos", sinaliza o economista.
Para
a presidente da Associação Brasileira de Celulose
e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, há uma missão
do setor de C&P em fechar 2009 com o mesmo nível de produção
do ano de 2008, mas apenas em agosto esse quadro se movimentou.
"Só neste período do ano conseguimos empatar
com produção de 2008", comenta apontando uma
queda entre 5 e 6 % no restante do ano.
Segundo
ela, os setores que mais sofreram foram embalagem e papel para imprimir
e escrever, ligados à industria alimentícia e fármacos.
O papel como matéria-prima se comporta de acordo com a crise
daqueles setores", compara.
A executiva
não traçou dados de perspectivas para 2009, mas afirmou
que o Brasil precisa fechar o ano no mesmo quarto lugar que conquistou
em 2008 - para produção de celulose e 11º produtor
mundial de papel.
Outros
temas abordados nesta tarde foram "Brasil como grande produtor
X grande importador x grande exportador"; Perspectivas e tendências
para o setor, entre outros.
Fonte:
Celulose Online
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