25% do investimento total no Brasil vem do BNDES

29/09/2009 - A criação de grandes grupos empresariais brasileiros, uma das principais ambições do governo Lula na área econômica, consumiu, em apenas um ano, pelo menos R$ 8 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O dinheiro foi usado para permitir que empresas como JBS Friboi e Votorantim comprassem concorrentes. Os recursos foram injetados por meio do BNDESPar, a empresa de participações do BNDES, que entrou como sócia ou elevou participação nas compradoras - ou consolidadoras, na linguagem do banco. A conta considera apenas os aportes diretos no capital das empresas. Não entram os empréstimos concedidos a elas pelas linhas de financiamento do banco.

No começo do ano, o banco liberou R$ 2,4 bilhões para que o grupo Votorantim incorporasse a Aracruz, formando a Fibria (celulose). A criação da Brasil Foods, resultado da compra da Sadia pela Perdigão, pode contar, ao final da transação, com R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão do banco. A Sadia foi engolida pela concorrente porque perdeu uma fortuna com derivativos cambiais. A Votorantim já ia comprar o controle da Aracruz, mas quase desistiu porque as duas também se enforcaram com derivativos de câmbio.

Essas duas operações injetaram adrenalina nas indústrias de papel e celulose e nas de alimentos. A produção brasileira de celulose, imaginam os analistas, será dominada por dois grandes grupos: Fibria e Suzano.

De 20% a 25% do investimento total feito no Brasil vem do banco. Por isso, no Brasil de hoje, quando o tema é um grande negócio todo mundo pensa imediatamente no BNDES. A instituição vai virar sócia da Magnesita, maior empresa brasileira de refratários, para ajudá-la a pagar uma dívida de R$ 324 milhões com o banco americano JPMorgan.

Fonte: Estadão - Adaptado por Celulose Online