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Crise
faz com que C&P corte investimentos
19/09/2009
- As empresas exportadoras de Minas Gerais, com atuação
em diferentes segmentos da economia, ainda enfrentam um cenário
de tímida recuperação dos embarques. Além
do menor volume de contratos em carteira, a valorização
do real frente o dólar está prolongando os efeitos
da crise.
DIVULGAÇÃO

A Cenibra, com planta em Belo Oriente, embarca 90 mil
toneladas de celulose branqueada por mês
É
consenso entre as empresas que no primeiro trimestre do ano as vendas
externas foram prejudicadas de forma intensa pelo desaquecimento
do mercado, que além de reduzir o volume ou o valor dos contratos,
também enxugou o crédito. A expectativa de retomada
das exportações no segundo trimestre ocorreu, na maioria
dos casos, bem abaixo do projetado.
Mesmo
nos casos em que o volume de negócios não foi fortemente
afetado, as receitas provenientes das exportações
foram reduzidas em virtude da valorização do real.
O dóloar, que chegou em novembro do ano passado a R$ 2,20,
hoje gira em torno de R$ 1,80, comprometendo a rentabilidade das
empresas e deixando o produto nacional menos competitivo, especialmente
aqueles com menor valor agregado.
No
caso da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), com planta em Belo Oriente,
no Vale do Aço, o volume embarcado mensalmente para a China,
diversos países na Europa e da Ásia, é de,
em média, 90 mil toneladas de celulose branqueada de eucalipto.
Este
volume não sofreu alterações significativas,
porém, com a valorização do real frente o dólar
acarretou em menor rentabilidade dos negócios. "Não
importamos nenhuma matéria-prima e todos os nossos custos
com a madeira plantada e reajustes salariais são em real,
uma moeda que está forte. O câmbio neste patamar está
prolongando a crise", observou o presidente da empresa, Fernando
Henrique da Fonseca.
De
acordo com ele, além da relação real/dólar,
o preço do produto no mercado internacional caiu de forma
acentuada no período mais agudo da crise e ainda não
se recuperou completamente. No período pré-crise,
conforme Fonseca, a tonelada da celulose era comercializada US$
800, porém a conjuntura econômica adversa derrubou
o preço pela metade.
Atualmente,
os contratos estão sendo firmados com o preço da celulose
próximo de US$ 600. "Mês a mês percebemos
uma recuperação no valor do produto, mas de forma
muito lenta", disse o presidente da Cenibra.
Retração
- A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração
(CBMM), exportadora de ferro-nióbio com planta em Araxá,
no Alto Paranaíba, também registrou escassez de novos
contratos no mercado internacional nos quatro primeiros meses do
ano, com as vendas externas reduzidas no período em 20% frente
ao mesmo período do ano passado.
No
segundo quadrimestre do ano houve uma retomada dos embarques, que
saltaram em torno de 20% na comparação com os quatro
meses anteriores, atingindo 3,2 mil toneladas mensais. No entanto,
em relação ao mesmo período do ano passado,
o diretor administrativo da empresa, Antônio Gilberto Castro,
afirmou que "houve uma redução expressiva e o
cenário ainda não mostra sinais de que, no curto prazo,
seja viável atingir os níveis de exportação
do ano passado".
As
operações da empresa estão restritas a 60%
da capacidade instalada, de 90 mil toneladas anuais, o que não
deve ser alterado neste exercício. No que se refere aos preços,
o quilo do ferro-nióbio está cotado em US$ 25.
A CBMM
exporta 94% de sua produção para 50 países,
sendo a China o principal destino. A produção é
correspondente a 75% de toda produção mundial.
Prospecção
- Para a Clamper Indústria e Comércio S/A, fabricante
de produtos eletrônicos, com unidade em Lagoa Santa, a prospecção
de negócios no mercado externo já registra resultados
favoráveis. A empresa possui um plano de expandir as exportações
que deverão em três anos representar 30% do faturamento.
Hoje a participação dos embarques é de 10%.
Segundo
o diretor de operações e negócios do empreendimento,
Marcelo Augusto Freire Lobo, apesar da empresa perceber um mercado
menos dinâmico, as ações realizadas pela Clamper
antes do agravamento da crise estão promovendo o aquecimento
dos negócios. "A empresa iniciou um agressivo plano
de elevação dos embarques, que somado ao amplo mix
de produtos está sendo bem-sucedido", disse.
As
exportações estão em expansão principalmente
para países da América do Sul, como Bolívia,
Peru e Colômbia. A expectativa é de ainda este ano
fechar contratos de grande valor também nos Estados Unidos.
De
acordo com Lobo, a valorização do real em relação
ao dólar diminuiu a rentabilidade dos negócios, mas
em menor escala que em outros setores, porque os produtos possuem
alto valor agregado.
Outro
fator que ameniza os impactos da volatilidade do câmbio são
as importações. A Clamper importa tecnologia de outros
páises, o que compensa possíveis perdas com as exportações.
Fonte: Diário do Comércio
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