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Exportador
pode perder isenção de ICMS no Estado
17/09/2009 - O governador Aécio
Neves ameaçou ontem suspender a isenção do
Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação
de Serviços (ICMS) para empresas exportadoras. O motivo seria
a não inclusão dos repasses da Lei Kandir na proposta
orçamentária da União para 2010.
Conforme
o governador, os estados terão dificuldade em manter a isenção.
Estes recursos visam ressarcir as perdas dos estados exportadores.
Aécio garantiu que a suspensão da desoneração
será uma conseqüência natural.
Conforme
dados da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF), foram repassados
pelo governo federal em 2009 aos cofres do Estado R$ 99 milhões.
Além disso, houve o repasse de R$ 245 milhões em junho
por meio do auxílio financeiro por perdas na arrecadação.
Em todo o ano passado, Minas recebeu R$ 152,5 milhões.
O
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
vetou o artigo da Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO) que
garantia a inclusão da compensação aos estados
por perdas com a Lei Kandir. O valor total que seria repartido era
de R$ 1,3 bilhão.
Com
a retirada do repasse do orçamento, um levantamento feito
pelo governo estadual apontou que as perdas deverão totalizar
R$ 800 milhões no próximo ano.
A
Lei Kandir, de 1996, isenta as exportações de produtos
primários e semielaborados do pagamento do ICMS. Como compensação
para os estados que deixaram de arrecadar com a medida, a lei determina
que o governo federal repasse 50% do valor perdido. Apesar disso,
em 2003, lesgislação complementar acabou com o valor
fixo dos repasses, que passaram a ser negociados anualmente entre
estados e União.
De
acordo com o advogado tributarista Janir Adir Moreira, a suspensão
da isenção do ICMS afetaria de forma significativa
as empresas. "Isto elevaria os custos para a exportação",
afirmou. Ele lembrou que o prejuízo da falta de repasse seria
voltado para o setor produtivo.
Conforme
ele, apesar da queda nos repasses por parte dos recursos para o
governo federal, as empresas mineiras continuam a obter o crédito
relativo à Lei Kandir. "Não houve alteração
no cenário e o prejuízo é na esfera macroeconômica",
afirmou.
As
empresas exportadoras podem utilizar o crédito do ICMS na
aquisição de insumos, como energia elétrica
e embalagens. A lei prevê que o pagamento de bens de consumo
estará autorizada em 2011.
Terceiros
- O sócio da PricewaterhouseCoopers, Sílvio Carvalho,
lembrou que o crédito também pode ser negociado com
terceiros. Mas entre a negociação e o recebimento
do capital poderá haver prejuízo. "Não
há nenhuma correção do crédito acumulado",
afirmou.
Carvalho
explicou que a utilização do crédito por parte
das empresas devem ser autorizadas pelo Estado. Conforme ele, entre
as medidas que poderão ser tomadas para pressionar o governo
federal está a paralisação destas autorizações.
Durante
o ano passado, os repasses para Minas relativos à Lei Kandir
totalizaram R$ 152,5 milhões. O valor ficou abaixo das projeções
da SEF, que eram de R$ 380 milhões no período. Conforme
publicado anteriormente, a retração foi atribuída
aos impactos da crise financeira nas empresas exportadoras do Estado.
O
montante direcionado para Minas representou aproximadamente 5% do
total de R$ 3,9 bilhões em repasses previstos pela União
para 2008. A perda dos estados exportadores com a isenção
do ICMS é de algo em torno de R$ 20 bilhões anualmente,
acumulando prejuízos considerados sérios para nos
cofres públicos.
Estima-se
que Minas Gerais deixou de arrecadar aproximadamente R$ 600 milhões
em virtude das desonerações do tributo nas exportações
de insumos e produtos semielaborados no exercício passado.
Fonte:
Diário do Comércio
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