Indústria deve puxar alta do PIB no 3º trimestre, diz Mantega

11/09/2009 - O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou nesta sexta-feira que a produção industrial deve ser uma das responsáveis pelo crescimento previsto para o PIB no terceiro trimestre deste ano. A alta foi estimada entre 2% e 3% no comparativo com os três meses imediatamente anteriores.

"Há vários indicadores antecedentes que mostram que a economia está mais aquecida neste trimestre [do que no anterior], portanto estamos na rota do crescimento", afirmou, destacando a desaceleração da indústria devido ao agravamento da crise após um período de ampla expansão.

"Alguns não acreditaram que teríamos uma recuperação rápida", comentou, citando as férias coletivas adotadas por algumas empresas e a redução de investimentos. A previsão é que a indústria termine o ano "empatada ou com crescimento negativo pequeno" no confronto com 2008 por causa da queda registrada no último trimestre do ano passado.

O ministro destacou que o investimento "é o último a se recuperar", ressaltando que as empresas usam apenas a capacidade já instalada para, em um segundo momento, ampliar essa capacidade quando a demanda volta a ficar aquecida.

De acordo com Mantega, "o Brasil é uma das economias com recuperação mais rápida no mundo" e "com a dívida crescendo pouco --2% em 2009". O ministro comparou o dado com a economia dos Estados Unidos, cuja dívida deve aumentar entre 50% e 60%. "O Brasil sai da crise com uma situação fiscal melhor."

Para 2009, a projeção do governo é que o PIB tenha uma expansão de 1% e, no próximo ano, crescimento entre 4,5% e 5%. "Em 2010 recomeça um novo ciclo de crescimento da economia brasileira", completou.


PIB
O consumo das famílias manteve-se em alta e registrou o 23º aumento consecutivo, com o avanço de 3,2% no segundo trimestre, na comparação com igual período em 2008, puxando o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) nacional neste período.

Outros setores
O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país. O indicador é composto por indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

Assim, o consumo do governo no segundo trimestre registrou variação negativa de 0,1% em relação ao primeiro trimestre. Sobre igual período em 2008, constatou-se crescimento de 2,2%. No primeiro semestre, registra alta de 2,5%, e nos últimos 12 meses, o aumento chega a 4,2%.

O investimento --medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) e que indica a confiança das empresas--, ficou estável em relação ao primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre de 2008, houve retração de 17%. No acumulado do semestre, a queda foi de 15,6%, e nos últimos 12 meses, a queda chega a 2,2%.
A taxa de investimento de abril a junho representou 15,7% do PIB, a menor para um segundo trimestre desde 2003 (14,8%); em igual período em 2008, a taxa significou 18,5%. No acumulado do semestre, o investimento representou 16,1% do PIB, menor taxa desde o primeiro semestre de 2005.

O setor industrial, após dois trimestres negativos, teve alta de 2,1% frente ao primeiro trimestre. Em relação ao período de abril a junho do ano passado, a indústria caiu 7,9%. De janeiro a junho, a queda foi de 8,6%, e no acumulado em 12 meses, houve retrocesso de 3%.

Já o setor de serviços registrou incremento de 1,2% na comparação com o primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, o PIB dos serviços subiu 2,4%, assim como no acumulado do primeiro semestre, cujo avanço chegou a 2,1%. Nos últimos 12 meses encerrados em junho, verifica-se alta de 3,1%.

O setor agropecuário, por sua vez, teve variação negativa de 0,1% na comparação com o período de janeiro a março deste ano. Em relação ao segundo trimestre de 2008, a agropecuária teve queda de 4,2%. A retração do setor chegou a 3% quando o desempenho de janeiro a junho é comparado a igual período no ano passado. Nos últimos 12 meses, foi constatado avanço de 0,2%.

Fonte: Folha Online