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Negociação
como solução
19/08/2009 - "É inaceitável a tutela
do Estado sobre um tema que, em quase todo o mundo, pertence à
esfera da negociação entre empregados e empregadores".
A declaração contundente do presidente da Fiemg, Robson
Braga de Andrade, resume bem a posição da entidade
e dos empresários por ela representados em relação
à proposta de redução da jornada de trabalho.
A Comissão Geral da Câmara dos Deputados se reúne
no próximo dia 25 para discutir a Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) 231, que prevê a redução da jornada de
trabalho de 44 para 40 horas semanais e o aumento do percentual
incidente sobre horas extras. Propõe-se que o valor de 50%
suba para 75%. Em meio aos vários pontos de vista defendidos,
a indústria - que responde por 28,8% do PIB nacional e é
responsável por 24,6% dos empregos formais do país
- toma sua posição. Defende a negociação
entre sindicatos de trabalhadores e empresas como via mais sustentável
rumo à redução da jornada de trabalho.
Em sintonia com a Confederação Nacional da Indústria
(CNI), a Fiemg está mobilizando cerca de 100 empresários
para irem a Brasília na próxima terça-feira.
O objetivo é mostrar aos parlamentares o seu ponto de vista
em relação ao assunto, que está tomando conta
da agenda do país nos últimos dias.
A argumentação dos empresários passa por fatos
concretos. Como observa o professor de relações do
trabalho da USP, José Pastore, reduzir a jornada nunca implicou,
em nenhum lugar do mundo, aumento de emprego. "Ao invés
de contratar mais funcionários para suprir as lacunas nos
horários, empresas teriam a opção de investir
em máquinas, que podem ter menor custo fixo e maior produtividade",
prevê.
Na visão da CNI e da Fiemg, a redução acarretará
elevação súbita de custos em todos os segmentos
da indústria e afetará particularmente micro e pequenas
empresas. Defende-se que elas não terão condições
de absorver ou repassar os custos provocados pela medida.
Além disso, há críticas quanto à intervenção
do Poder Público na questão. Para o presidente da
Fiemg, soluções em sintonia com a realidade econômica
e baseadas em necessidades e possibilidades de cada setor se dão
por meio da negociação coletiva. "É esse
o caminho trilhado por economias desenvolvidas nos quatro cantos
do mundo", defende.
O professor José Pastore também aposta no diálogo
entre empresas e sindicatos. "Na negociação direta
entre um setor e a sua categoria de funcionários, uma parte
entende a outra. A PEC aplicar uma mesma regra para uma economia
completamente heterogênea", critica. De volta à
pauta A PEC 231 já tem história. Foi proposta pela
primeira vez há 15 anos. Agora, ao voltar à pauta
parlamentar, encontra forte mobilização empresarial.
A CNI explicita as condições que acredita serem necessárias
para a criação de empregos e analisa os efeitos da
redução - levando em conta a manutenção
salarial - na publicação "Redução
da jornada de trabalho - mitos e verdades". De acordo com o
texto, os danos que a medida causaria à competitividade das
empresas seriam ainda maiores devido à crise econômica
mundial.
Fonte: Site FIEMG
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