Cenibra estuda novos reajutes neste ano

LUCIANE LISBOA

07/08/2009 - A Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) poderá efetuar pelo menos mais dois reajustes no preço do insumo neste ano. Com planta fabril em Belo Oriente (Vale do aço), a empresa nos últimos 15 dias aumentou em US$ 30 o valor do produto, um reajuste de 5%. A adoção da medida está ligada às perdas que a companhia vem sofrendo em função da queda do valor da celulose no mercado internacional.

Com a eclosão da crise financeira global em setembro do ano passado, o preço da celulose chegou a cair cerca de 33% em virtude da queda na demanda. No período pré-crise a tonelada do insumo era comercializada a US$ 840 a tonelada. Atualmente, a tonelada da celulose é vendida por US$ 526.

De acordo com o presidente da Cenibra, Fernando Henrique da Fonseca, esta é uma das possibilidades estudadas pela empresa para compensar a queda no preço do insumo. Além disso, a desvalorização do dólar frente o real também deverá influenciar na decisão da companhia em reajustar novamente os preços, de acordo com o presidente da companhia.

"Mesmo com o aumento recente de 5% que realizamos, a valorização de 10% do real ante o dólar reduziu toda a nossa margem e ainda continuamos com déficit. é preciso corrigir isso", afirmou.

Por outro lado, dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) mostraram que o setor se recuperou da queda de 5,2% no volume de produção que sofreu no primeiro trimestre. No período, houve diminuição de 0,3% na produção em relação a igual intervalo de 2008.

A expectativa do órgão é que 2009 iguale os 12,7 milhões de toneladas do ano passado. O aumento de 18% no volume das exportações foi o principal responsável pela melhora.

A China foi o país que mais aumentou a demanda por celulose, se transformando na principal compradora do Brasil. Os embarques para o país asiático cresceram 119% e já caminham para superar os europeus no ranking dos maiores importadores do insumo brasileiro. Apesar disso, o preço negociado com a China é menor em relação aos demais mercados, a US$ 480 a tonelada.


Dólar - Apesar da estimativa de manutenção da demanda em 2009, a receita poderá ser prejudicada pela desvalorização da moeda norte-americana. Isso ocorre em virtude dos custos de produção serem contabilizados em real.

A Cenibra possui um plano de investimentos de US$ 2 bilhões até 2013 na construção da terceira linha de produção em Belo Oriente e no plantio de eucalipto. Mesmo com a crise financeira, os aportes foram mantidos.

Para a base florestal a previsão é que sejam investidos US$ 400 milhões. A expectativa é que dois anos antes de os eucaliptos serem cortados seja iniciada a produção na nova unidade.

Em 2008, a companhia registrou queda de 66,33% no lucro líqüido na comparação com o exercício anterior. O resultado passou de R$ 211,011 milhões em 2007 para R$ 71,031 milhões no ano passado. Para 2009, a previsão também é de queda, de cerca de 13% a 15% no faturamento, de acordo com Fonseca.

Fonte: Diário do Comércio