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Retração
do dólar ameaça dos resultados da Cenibra
Receita com exportações recua
RAFAEL
TOMAZ e FP.
17/07/2009
- A desvalorização do dólar frente ao real
poderá provocar impactos negativos nos negócios da
Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), com planta em Belo Oriente,
no Vale do Aço. Além disso, a queda nos preços
da celulose no mercado externo também é um entrave
para a companhia.
Conforme
o diretor-presidente da Cenibra, Fernando Henrique da Fonseca, a
atual variação cambial é prejudicial para a
companhia. Ele explicou que a desvalorização da moeda
norte-americana reduz a receita com as exportações,
que representam 95% dos negócios da empresa.
Mesmo
que a quantidade exportada continue estabilizada a queda do dólar
pode resultar em perda nas margens da Cenibra. "Os custos da
indústria continuam a ser contabilizadas em real", explicou.
Após
a eclosão da crise financeira global, em setembro do ano
passado, o dólar apresentou uma valorização
acentuada frente ao real e passou a ser cotado acima de R$ 2,00
no final de 2008. Já no atual exercício a cotação
da moeda norte-americana voltou a apresentar retração
e vem se desvalorizando em relação a moeda brasileira.
Outro
fator negativo, segundo Fonseca, é a queda nos preços
da celulose no mercado internacional. Conforme ele, no período
pré-crise a tonelada do insumo era comercializada por aproximadamente
US$ 800. Atualmente a redução média nos valores
negociados é de 33,3%.
De
acordo com o diretor-presidente da Cenibra, a tonelada da celulose
é comercializada por US$ 530 na Europa. Nos EUA a mesma quantidade
é vendida por US$ 590.
Além
disso, Fonseca ressaltou que a China vem mantendo a demanda por
celulose e permanecendo como principal compradora do produto, enquanto
que os mercados europeu e norte-americano reduziram o volume de
pedidos em virtude da retração econômica. "Mas
o preço negociado com o país asiático é
menor em relação aos demais mercados", disse.
A celulose é negociada com os clientes chineses a US$ 480
a tonelada.
Conforme
Fonseca já havia informado ao DIÁRIO DO COMÉRCIO,
as estimativas são de que as vendas continuem estabilizadas
no segundo semestre. A produção deverá ficar
no mesmo patamar do ano passado, de 1,2 milhão de toneladas.
Apesar
disso, Fonseca afirmou que anualmente a Cenibra investe cerca de
US$ 10 milhões em melhorias na produção e manutenção
de equipamentos, o que não foi alterado mesmo com o desaquecimento
da economia.
A companhia
possui um plano de investimentos de US$ 2 bilhões até
2013 na construção da terceira linha produção
em Belo Oriente e no plantio de eucalipto. Apesar da crise financeira
global, os aportes no Vale do Aço foram mantidos pela indústria.
Para
a base florestal a previsão é que sejam alocados US$
400 milhões. A expectativa é que dois anos antes dos
eucaliptos serem cortados seja iniciada a produção
na nova unidade.
Em
2008, a Cenibra registrou queda de 66,33% no lucro líqüido,
ante o exercício anterior. O resultado passou de R$ 211,011
milhões em 2007 para R$ 71,031 milhões em 2008.
A geração
de caixa (Ebitda) em 2008 foi de R$ 376 milhões. Isto representa
uma queda de 13% na comparação com o ano anterior
e uma margem de 30% sobre as vendas líquidas. Segundo a empresa,
o desempenho reflete o aumento nos custos dos produtos vendidos,
despesas comerciais e despesas tributárias.
Aracruz - Já a Aracruz Celulose anunciou um lucro líqüido
de R$ 595,5 milhões para o segundo trimestre deste ano, ante
um prejuízo de R$ 1,7 milhão no trimestre inicial
do ano. O resultado é mais que o dobro (127,2%) que o lucro
apurado no mesmo período no ano passado. No acumulado de
seis meses, o lucro da Aracruz atinge R$ 593,7 milhões, ante
um ganho de R$ 430 milhões no primeiro semestre do ano passado.
A receita
líquida atingiu R$ 780,4 milhões no segundo trimestre,
o que representa um decréscimo de 12% na comparação
com o resultado no mesmo período de 2008. O Ebitda (lucro
antes juros, impostos, depreciação e amortização)
somou R$ 205,9 milhões, número 42% abaixo do registrado
no segundo trimestre do ano passado. O resultado financeiro líqüido
foi uma receita de R$ 894,7 milhões, ante uma receita de
R$ 241,9 milhões no segundo trimestre do ano passado.
Fonte:
Diário do Comércio
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