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Emprego
reage, mas semestre é o pior em 10 anos
15/07/2009 - O Brasil fechou o primeiro semestre com a criação
de mais de 300 mil postos de trabalho com carteira assinada, informou
ao Estado o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. É o pior resultado
dos últimos 10 anos e está muito abaixo dos 1,36 milhão
de novos postos gerados no primeiro semestre de 2008 e mesmo das
561 mil vagas de 2003, quando a economia brasileira cresceu pouco.
Até
maio, o saldo entre contratações e demissões
estava em 180 mil postos. Em Maceió, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva afirmou ontem que em junho foram abertos 136 mil novos
postos de trabalho. "Em julho, esse número deve aumentar
para o desespero da oposição", disse Lula. Os
dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem
ser divulgados amanhã.
O dado
de junho ficou abaixo das estimativas dos analistas de mercado de
trabalho. "Se confirmado, o número não é
um desastre, mas decepcionou", disse Fábio Romão,
economista da LCA Consultores. A consultoria projetava a geração
de quase 200 mil vagas em junho. Na divulgação do
Caged de maio, Lupi chegou a estimar a criação de
350 mil a 400 mil vagas no primeiro semestre.
O ministro
não deu detalhes, mas disse que junho deve manter o padrão
dos últimos meses, com recuperação mais forte
dos serviços e da construção civil, mas estagnação
da indústria, que parou de demitir, mas não avançou
nas contratações. Até maio, a construção
gerou 61 mil vagas, a agropecuária 71,7 mil e os serviços
242,9 mil.
Lupi
afirmou que mantém a meta de que o País vai criar
1 milhão de postos de trabalho este ano. "O segundo
semestre deve ser muito forte para o emprego. Os setores automotivo
e da linha branca batem recorde de vendas graças aos incentivos
do governo federal."
Os
economistas projetam que a taxa de desemprego no País pode
chegar a 8,7% este ano, acima dos 7,9% de 2008, o nível mais
baixo desde 2002, quando o IBGE modificou a base de dados. A deterioração
do mercado de trabalho vai reduzir a taxa de crescimento da massa
salarial de 6,1% em 2008 para 3,1% este ano, conforme a LCA Consultores.
Segundo
Romão, a queda é atenuada pela inflação
baixa, pelos reajustes do salário mínimo, pela maior
renda proporcionada aos beneficiários da Previdência,
e pelo Bolsa-Família. "O emprego nos setores de serviço
e construção civil foram os pioneiros da recuperação",
disse.
Sérgio
Vale, economista-chefe da MB Associados, explica que a recuperação
da economia ainda está muito "desigual". O mercado
interno reagiu e os estoques das indústrias foram reduzidos,
o que colabora para mais contratações, mas a queda
das exportações e o investimento são fatores
negativos.
Um
levantamento da consultoria apontou que a recuperação
do emprego e da renda está concentrada nas pessoas que ganham
até um salário mínimo. Acima desse nível,
o emprego ainda está em queda. "Voltamos ao padrão
de 2006 e 2007", disse. Ele reforçou que a deterioração
do emprego industrial colabora para a mudança, porque é
o setor que paga melhor.
"A
crise ficou com a cara da indústria no Brasil. O comércio
e os serviços já retomaram", disse Flávio
Castello Branco, gerente da unidade econômica da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). Ele ressaltou que o crédito
foi retomado, o medo do desemprego superado, o que sustenta o comércio
e ajuda a indústria, mas o patamar de emprego de 2008 só
será retomados em 2010.
Conforme
Romão, descontando as influências sazonais, foram criadas
40 mil novas vagas em junho, abaixo das 50 mil de maio. "A
confiança foi abalada pela crise e o crédito à
pessoa física se recuperou, mas o crédito à
pessoa jurídica ainda tem problemas", disse.
A economista-chefe
da Rosemberg & Associados, Thaís Zara, disse que a produtividade
da indústria - que é a produção por
trabalhador - subiu 12% desde o fim do ano, mas está 5% abaixo
do ano passado. O número de horas trabalhadas também
se mantém abaixo de maio de 2008. Na prática, significa
que os funcionários trabalham, em média, menos que
no ano passado. "Ainda não é hora de euforia."
Fonte:
O Estado de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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