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CNPq
vai autorizar coleta de fauna e flora
14/07/2009 - O histórico problema do acesso à biodiversidade
brasileira e aos seus recursos genéticos, que tanto atrapalha
as pesquisas, segundo os cientistas, pode ter uma solução
em breve.
As
autorizações, dadas hoje por órgãos
do Ministério do Meio Ambiente, passarão a ser aprovadas
pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico). Mas isso só depois que um novo projeto
de lei for aprovado pelo Congresso Nacional.
"Eu
e o ministro Carlos Minc chegamos a um consenso de que o melhor
é que a responsabilidade pelas autorizações
mude de órgão", disse o ministro da Ciência
e Tecnologia, Sergio Rezende, ontem em Manaus. Ele participou do
primeiro dia da 61ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência).
Segundo
Rezende, o acordo com o Meio Ambiente para facilitar o acesso de
cientistas à fauna e à flora vai constar de um novo
projeto de lei.
Esse
acesso é motivo de conflito há anos. Hoje, o trabalho
dos pesquisadores é feito sob regras de uma medida provisória
editada em 2001. Cientistas costumam reclamar que são tratados
como biopiratas.
Um
deles, o zoólogo Carlos Jared, do Instituto Butantan, foi
multado em R$ 21 mil pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis) em 2007 e teve a sua
licença de coleta cassada após mandar espécimes
de um invertebrado a um colaborador na Alemanha.
Em
2007, uma portaria do Ibama prometeu acelerar a concessão
de licenças de coleta -que demoravam até dois anos-,
mas, para os cientistas, a medida não adiantou.
"A
mentalidade deles é que a gente é bandido até
prova em contrário", disse Jared, que comemorou as declarações
de Sergio Rezende. "É maravilhoso sair da mão
desse regime policialesco do Ibama."
Sem
dinheiro
Apesar do discurso contra a burocratização da ciência,
que voltou a ser repetido ontem, cientistas presentes em Manaus
mostraram preocupação com o fato de os recursos para
os INCTs (Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia) ainda
não estarem sendo liberados.
Pelo
programa, serão liberados mais de R$ 600 milhões para
123 grupos de pesquisa de todo o Brasil. "Pelo edital, os recursos
deveriam começar a ser repassados para os grupos de pesquisa
em janeiro. Até agora eu não recebi um tostão",
disse Philip Fearnside, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia) e coordenador de um INCT.
O Inpa
tem quatro institutos aprovados. Três não receberam
nenhuma verba ainda. Um apenas, coordenado por Adalberto Val, diretor
do Inpa, recebeu uma pequena parcela.
Há
duas maneiras de fazer os contratos para o repasse dos recursos.
Numa deles, o contrato é feito entre o MCT e o coordenador
do INCT -caso de Val.
A segunda
forma é entre o governo e a instituição. Mas,
desde que o TCU (Tribunal de Contas da União) congelou o
repasse de verba para as fundações de pesquisa, esse
tipo de contrato ficou mais restrito.
No
desenho imaginado antes da decisão do TCU, tomada em novembro
de 2008 após os escândalos na Universidade de Brasília,
centros de pesquisa como o Inpa criariam novas pessoas jurídicas
para receber os recursos dos INCTs.
Fonte:
Folha de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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