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DNA
revela história da mata atlântica
13/07/2009 - Uma nova teoria baseada na genética oferece
uma explicação para a origem da grande variedade de
vida da mata atlântica. Os grupos animais desse ecossistema
teriam se diversificado a partir de "refúgios"
localizados por todo o litoral do sudeste do Brasil, processo que
ocorreu ao longo dos últimos 12 milhões de anos, pelo
menos.
A hipótese
foi elaborada pelo grupo de Cinthia Brasileiro, ecóloga da
Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Já se
sabia que o sul da Bahia atuava como um desses núcleos que
funcionavam como "fábricas de espécies",
mas o trabalho da cientista mostra que havia vários deles.
E o surgimento dos cinco grandes agrupamentos de refúgios
não ocorreu em sentido único, do norte para o sul,
por exemplo.
"Não
significa que eram cinco grandes refúgios. Cada uma das regiões
tinha várias dessas áreas", disse Brasileiro
à Folha, comentando estudo que publicou na revista "Molecular
Ecology". "Elas [as áreas] existiram mais ou menos
da mesma forma por milhões de anos."
O segredo
dos refúgios é que eles estão sempre florestadas,
não sofrem secas, épocas de frio ou oscilação
do nível do mar. Por isso, dentro deles, a diversidade da
vida tende sempre a aumentar. Um dos motivos, por exemplo, é
o grande número de nichos ecológicos disponíveis
para colonizar.
Para
um anfíbio que tem uma população vivendo em
bromélias, por exemplo, o universo dele está restrito
apenas a um determinado bromelial. Mas outra população
pode colonizar um único riacho, e assim sucessivamente. O
surgimento de novas espécies da fauna e da flora -além
da diferenciação das várias populações
de uma mesma espécie- pode ocorrer a partir disso.
Para
que os dois processos se desenrolem, porém, é preciso
que o clima seja favorável por milhões de anos provavelmente,
ou que o nível do mar desça (no período estudado
ele oscilou por volta de 200 metros). Com isso, a floresta aumenta
de tamanho e os bichos passam a ter uma área maior para prospectar
novos habitats.
A biodiversidade
ampliada, na sequência, passará a ocupar novas regiões
geográficas.
Na
prática, o surgimento do centro de biodiversidade no sul
de São Paulo, entre São Sebastião e Cananeia,
ilustra a tese defendida por Brasileiro.
"A
diversidade, nessa área, começou há 1 milhão
de anos, aproximadamente. Essa área é mais antiga
do que a identificada no norte de São Paulo, mas mais nova
do que as áreas estudadas no Rio de Janeiro e no Espírito
Santo ", diz a cientista da Unifesp.
Portanto,
o que o grupo de pesquisa defende é que houve uma origem
diferente entre as duas áreas e não um processo que
começou no norte da região ocupada pela mata atlântica
e veio em direção ao sul.
Biografadas
pelo DNA
A ferramenta genética usada por Brasileiro foi o estudo do
DNA de duas espécies de rãs -amostras de 137 indivíduos,
no total. As amostras foram comparadas, e as diferenças entre
elas revelam a biografia dos dois grupos de anfíbios.
"Esse
é apenas um estudo de filogeografia [o mapeamento das diversidades
genéticas de uma espécie ao longo do tempo] que corrobora
a ideia dos refúgios para toda a mata atlântica",
diz Brasileiro. Há outros estudos em andamento procurando
confirmar a hipótese, alguns deles com dados coletados nas
ilhas do litoral paulista.
Na
área da atual Jureia, a mata ficou separada do resto do continente
até 5.000 anos atrás, aproximadamente. "A diversidade
nessa área é ainda mais recente do que nas outras
regiões estudadas, com 200 mil anos." Isso indica, segundo
Brasileiro, que a separação pelo mar acabou criando,
neste caso, mais um refúgio.
Processo
mais ou menos parecido pode estar em curso hoje em ilhas paulistas
como Queimada Grande ou Alcatrazes.
Fonte:
Folha de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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