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Carga
fiscal bate recorde em 2008
09/07/2009 - A soma de todos os impostos e contribuições
arrecadados em 2008 é de R$ 1,03 trilhão, equivalente
a 35,8% do Produto Interno Bruto (PIB), recorde para a série
histórica da Receita Federal iniciada em 1995. Em 2007, os
contribuintes dos três níveis de governo (União,
Estados e municípios) pagaram 34,72% do PIB. O governo do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, portanto, elevou a
carga tributária do país, em seis anos, de 32% para
35,8% do PIB, conforme dados da Receita. As previsões oficiais
indicam, porém, que o peso dos impostos vai voltar a cair
neste ano, em função da crise econômica e das
desonerações.
Segundo
estudo da Receita, a análise das bases de incidência
dos tributos revela que, em 2008, bens e serviços foram responsáveis
por 48,44% da arrecadação. A folha de salários,
também é muito tributada e respondeu por 22,45% do
total. Na sequência estão a renda (20,45%), propriedade
(3,18%) e transações financeiras (2,04%).
O coordenador-geral
de Estudos, Previsão e Análise da Receita Federal,
Marcelo Lettieri, informou que, depois das repartições
previstas na Constituição, a participação
da União na arrecadação de 2008 ficou em 60%.
Nos Estados houve uma pequena queda, de 25,8% para 24% e, nos municípios,
ocorreu um salto de 4,6% para 16% do total.
Considerando
a carga tributária como proporção do PIB, os
três níveis da federação tiveram aumentos
em 2008. A carga federal foi de 24,92%, o que mostra aumento de
0,59 ponto percentual (pp) sobre o ano anterior. Os Estados ficaram
com arrecadação equivalente a 9,23% do PIB (0,43 pp)
e os municípios tiveram 1,64% (0,05 pp).
A comparação
com 2007 indica que, no ano passado, o aumento de 1,08 pp verificado
na carga tributária bruta decorre de pequena queda na participação
da União no total arrecadado e leves aumentos para Estados
e municípios. A receita do governo federal (R$ 720,13 bilhões)
passou de 70,08% do total para 69,62%. Os Estados (R$ 266,73 bilhões)
saíram de 25,36% para 25,79%. Nos municípios (R$ 47,53
bilhões), o movimento foi de 4,57% para 4,60%.
Lettieri
reconhece que a carga tributária bruta é elevada para
o nível de desenvolvimento do país, mas pondera que
ela é necessária para financiar as demandas fiscais.
Ele ainda prevê que, neste ano, vai haver redução
dessa carga, principalmente porque o governo federal tem concedido
várias reduções setoriais. A renúncia
fiscal, de janeiro a maio, é de R$ 11 bilhões. "A
arrecadação foi maior em 2008 porque, de janeiro a
setembro, a economia teve crescimento exuberante", explica.
A Receita
informou que quatro fatores fizeram aumentar a arrecadação
federal em 2008. O PIB de R$ 2,89 trilhões foi 5,1% maior
que o de 2007. Além disso, ajudaram o aumento real de 9,5%
da massa salarial do setor privado e os aumentos das alíquotas
do IOF e da CSLL das instituições financeiras. Atuaram
em sentido contrário a extinção da CPMF, os
ajustes no IR da Pessoa Física e a redução
da Cide sobre combustíveis.
O sistema
tributário brasileiro é muito criticado pela sua regressividade,
o que significa ignorar o princípio da justiça fiscal
que prevê carga maior para quem tem renda maior. Nesse cenário,
Lettieri comenta que, nos países em desenvolvimento, a base
da renda é bem menor que a do consumo, o que leva os governos
a direcionarem impostos e contribuições para bens
e serviços.
No
Brasil, a folha de salários tem carga tributária maior
que a renda, mas o coordenador explica que o principal problema
é o sistema de financiamento da seguridade social que recai
sobre essa base. Ele revela que a Receita ainda não está
fazendo as projeções para a desoneração
da folha de pagamentos porque o assunto está no gabinete
do ministro Guido Mantega e na Secretaria de Política Econômica.
Na
perspectiva de 2009, a queda da arrecadação e a redução
do superávit primário do setor público são
dois fatores que preocupam alguns analistas. O economista da consultoria
Tendências, Felipe Salto, dá "sinal amarelo"
para a política fiscal pela primeira vez no governo Lula
porque detecta deterioração dos gastos públicos.
As
suas contas mostram, de janeiro a maio, aumento nominal de 23% na
despesa com o funcionalismo, que chegou a R$ 60,8 bilhões.
O custeio, nesse período, também foi 23% maior, alcançando
R$ 40,5 bilhões. Por outro lado, a arrecadação
com tributos federais deve ter queda real de 6,3% em 2009. Sem a
receita previdenciária, a queda é de 10,7%. Para Salto,
a previsão de acabar com o déficit nominal em 2014
foi adiada para 2016.
O consultor
Clóvis Panzarini também critica o perfil das despesas
da União, com destaque para o aumento do funcionalismo, que
segundo ele, poderia ser adiado. Ele ainda diz que é preocupante
a retirada dos investimentos do PAC do cálculo do superávit
primário.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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