|
Carga
tributária atingiu 36% do PIB em 2008
07/07/2009 - A carga tributária bruta, em 2008, ficou cerca
de um ponto percentual acima dos 34,79% do Produto Interno Bruto
(PIB) medidos em 2007. Hoje, a Receita Federal publica estudo anual,
que mede o peso de impostos e contribuições da União,
dos Estados e dos municípios. No ano passado, a arrecadação
federal foi de R$ 685,67 bilhões. Considerando apenas os
tributos, o valor foi de R$ 660,20 bilhões, o que significa
aumento real de 6,81% sobre 2007. Para calcular a carga tributária
bruta, é necessário agregar as arrecadações
de Estados e municípios.
O aumento
de cerca de um ponto percentual em 2008, que deve ter levado a carga
tributária bruta para perto dos 36% do PIB, decorre de um
início de ano muito aquecido na economia, com a arrecadação
federal batendo recordes. Em janeiro, o valor obtido com tributos
foi 20,49% maior, em termos reais, que a do mesmo mês em 2007.
O salto do primeiro bimestre em relação ao igual período
de 2007 foi de 15,62%. Nos dois meses seguintes, o resultado acumulado
em 2008 teve variações de 12,88% (março) e
12,09% (abril).
De
maio a outubro, os crescimentos reais acumulados ficaram no patamar
dos 10%, até que a crise internacional começou a prejudicar
a economia e derrubou a arrecadação, baixando o índice
de janeiro a novembro para 8,19%. O ano passado terminou com aumento
real de 6,81% sobre 2007.
De
acordo com cálculos do especialista em finanças públicas
Amir Khair, a divisão do total arrecadado em 2008 pelo valor
do PIB, resultou em carga tributária bruta que cresceu de
34,79%, em 2007, para 35,73% em 2008. O aumento de 0,94 ponto percentual
teve contribuições da União (0,42 ponto), dos
Estados (0,49 ponto) e dos municípios (0,04 ponto).
As
desonerações tributárias, segundo a Receita,
tiveram importante papel em 2008. Estímulos dados a setores
da economia reduziram a arrecadação em R$ 81,98 bilhões.
Na conta, estão gastos tributários previstos na lei
orçamentária (R$ 76,05 bilhões) e medidas adicionais
equivalentes a R$ 5,93 bilhões. Os destaques foram para a
redução de R$ 2,12 bilhões na Contribuição
de Intervenção no Domínio Econômico (Cide),
a queda de R$ 987 milhões no IOF e R$ 871 milhões
das reduções de prazo para compensação
de créditos das contribuições PIS e Cofins.
Ao
comparar as arrecadações de 2008 e 2007, a Receita
concluiu que, entre as causas econômicas, as principais foram
a maior lucratividade das empresas, o crescimento de 11% nas vendas,
o aumento de 16,39% da massa salarial, a elevação
de 43,88% do valor em dólar das importações,
o salto de 9,6% nas vendas de veículos e alta de 4,8% da
produção industrial.
No
âmbito da legislação, os fatores que mais influenciaram
a arrecadação em 2008 foram o fim da CPMF, o aumento
das alíquotas do IOF, a redução da carga da
Cide, a elevação de 9% para 15% na CSLL dos bancos
e a mudança dos prazos de pagamento do IPI para bebidas e
automóveis.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
|