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G8
antecipa debate para tratado do clima
07/07/2009 - A principal decisão da próxima cúpula
do G8 (os sete países mais ricos do mundo e a Rússia),
que começa amanhã em Áquila, na Itália,
não será de nenhum Gê, não dirá
respeito diretamente à economia ou à geopolítica,
os temas mais habituais nos 35 anos de existência do G8. Sairá
do MEM, sigla nova que significa Encontro das Grandes Economias,
uma iniciativa norte-americana que deverá reunir os 17 países
mais ricos e mais poluentes do mundo (respondem por 80% da emissão
de gases que provocam a mudança climática).
O ministro
italiano de Exteriores, Franco Fratini, já antecipou ontem
que o slogan do encontro será "menos 50% em 2050".
Traduzindo: reduzir à metade em relação aos
níveis de 1990 a emissão de gases do efeito estufa
até o ano 2050.
Como
é um ano longínquo demais, mais importante do que
esse slogan é a decisão que parece consensual entre
os 17 países do MEM (o Brasil obviamente entre eles) de diminuir
a emissão de gases de tal forma que não passe de dois
graus centígrados o aumento da temperatura na Terra em relação
aos níveis da era pré-industrial.
Essa
limitação já foi incorporada pelo governo Barack
Obama, o que confere nova dinâmica às negociações
sobre mudança climática, que ficaram emperradas durante
a administração George Walker Bush.
Formalmente,
o que a Casa Branca disse, até agora, sobre a reunião
do MEM é que busca criar "impulso político"
para as negociações sobre clima, com vistas à
conferência global mais importante do ano, a cúpula
sobre o tema marcada para Copenhague em dezembro.
Posto
de outra forma: a reunião na Itália criará
um ambiente favorável para um acordo "ambicioso",
como diz o ministro Fratini, mas os números finais ficarão
para Copenhague.
Barreira
indiana
Mesmo assim, há um obstáculo chamado Índia.
Até a semana passada, o governo indiano se recusava a comprometer-se
com metas quantitativas de redução de emissões.
Como se trata do quarto maior emissor de gases que provocam o efeito
estufa e, por extensão, o aquecimento global, a ambição
antevista pelo anfitrião Fratini corre sério risco.
Ainda
mais que a Índia pode servir de pretexto para que outros
poluentes entre os emergentes, como a China, também se recusem,
sob a alegação de que quem degradou o meio-ambiente
foram os países ricos -e caberia a eles, portanto, a fatia
maior de sacrifícios para afastar o perigo de um aquecimento
catastrófico.
O tamanho
da catástrofe foi de novo medido ontem em relatório
da Oxfam, uma das mais ativas e respeitadas ONGs globais. Sem "ação
imediata" no campo da mudança climática, há
o risco de "minar 50 anos de ganhos em desenvolvimento",
diz o texto.
A Oxfam
propõe uma meta muito mais ambiciosa do que a mencionada
pelo ministro italiano Fratini: quer um corte de pelo menos 40%
nas emissões em relação aos níveis de
1990, mas até 2020, não 2050.
Explica
o texto da ONG: "A avassaladora evidência, de todos os
cantos do globo, está bem na frente de nossos olhos e não
pode ser ignorada. Achar uma solução para a mudança
climática não pode ser deixado para nossos netos".
Fonte:
Folha de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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