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Segundo
semestre começa em tom defensivo
02/07/2009 - Depois de o Ibovespa emplacar valorização
de 37% entre janeiro e junho, puxado principalmente pelo desempenho
das ações de commodities, o segundo semestre começa
com tons mais defensivos. Com a esperada recuperação
das economias centrais ainda em suspense, os participantes da Carteira
Valor decidiram ficar com um pé atrás e privilegiar
papéis relacionados à atividade doméstica.
Energia
elétrica, telecomunicações, consumo, bancos
e logística compõem o mix para julho. Não que
as fabricantes de matérias-primas deixem de marcar presença.
São representadas pelas tradicionais "blue chips",
com as preferenciais classe A (PN, sem voto) da Vale, com três
indicações, e, por Petrobras PN, com duas. No segmento
de papel e celulose, Suzano Papel PNA também aparece com
duas menções.
No
mês passado, o portfólio das dez mais teve desvalorização
de 0,65%, em comparação à queda de 3,26% do
Ibovespa. No ano, a seleção acumula ganhos de 33,80%,
ante 37,06% do indicador. Em 12 meses, ainda há o rescaldo
da crise de 2008, com perda de 16,85% da Carteira Valor para uma
queda de 20,84% do índice. Para julho, além de Petrobras
e Vale, as recomendações se dividem entre as ordinárias
(ON, com voto) do Banco do Brasil, da Tractebel (com três
indicações cada uma), seguidas por Itaúsa PN,
Redecard ON, Cyrela ON, Sadia PN, Eletrobrás ON e Suzano
PNA, (todas com duas citações cada uma).
Com
a arrancada das commodities nos últimos três meses,
a inversão do fluxo de capital estrangeiro na Bovespa em
junho e o início das férias de verão no Hemisfério
Norte, julho pode ser um mês ainda fraco para bolsa e não
é de se estranhar que haja uma migração das
ações consideradas cíclicas para aquelas que
são boas pagadoras de dividendos, pondera o chefe de análise
da Link Corretora, Andrés Kikushi. "Tirando o setor
de papel e celulose, que aparentemente ainda está no meio
de uma recuperação de preços, os demais já
andaram bastante, em especial o petróleo", diz.
No
portfólio selecionado pela casa, Vale e Suzano é que
representam as fabricantes de matérias-primas, sob o apelo
da recuperação chinesa. Tais escolhas vêm balanceadas
pelas elétricas Transmissão Paulista PN e Tractebel
ON. O primeiro caso, conforme justifica Kikushi, é uma aposta
típica de dividendos, enquanto a geradora vem sendo negociada
com desconto. Para ele, depois dos resultados ruins apresentados
no último trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009,
a companhia passa por um momento de recuperação e
merece ser melhor avaliada.
O viés
mais defensivo já estava presente na carteira da Spinelli
Corretora desde o mês passado, justamente com Tractebel, além
dos papéis expostos ao mercado interno, como Cyrela e Banco
do Brasil. A novidade no portfólio veio pela troca de Cia.
Siderúrgica Nacional (CSN) por VCP PN. As novas projeções
divulgadas pela empresa evidenciaram o quanto a demanda chinesa
tem puxado e ainda promete puxar o desempenho da companhia de papel
e celulose, afirma o analista Jayme Alves. No segundo trimestre,
houve crescimento de 35% nas vendas em relação aos
três primeiros meses do ano, que já tinham mostrado
expansão de 17% na comparação com o último
trimestre de 2008.
"O
fechamento de capacidade (produtiva) no mundo por conta do baixo
preço da celulose estimulou o aumento das vendas no Brasil."
Com a entrada da nova linha de produção - projeto
Horizonte -, a VCP vai produzir neste ano 700 mil toneladas e chegar
a 1,3 milhão em 2010. Essa expansão pode coincidir
com um momento mais generalizado de recuperação das
economias.
No
curto prazo, porém, a retomada do crescimento nos países
desenvolvidos ainda é incerta. Alves nota que vêm sendo
divulgados indicadores ambíguos, como o aumento da confiança
do consumidor americano no mês passado ou a queda nos dados
da indústria manufatureira, que apontam para interpretações
opostas. Para ele, os programas de estímulo monetário
precisam mostrar seus efeitos nas economias dos Estados Unidos,
Europa e Japão para que as ações brasileiras
sustentem uma rota ascendente.
Como
o tal do segundo semestre que trazia a promessa de recuperação
global enfim chegou, agora é hora de confrontar os indicadores
da economia real com as expectativas alimentadas até aqui,
pontua a estrategista da Itaú Corretora Maria Aparecida Souza.
Ela nota que, mesmo depois dos piores capítulos da crise
originada nas hipotecas americanas e de toda a desalavancagem que
se sucedeu, há ainda muito movimento financeiro fazendo preço.
É o caso do petróleo, que avançou cerca de
40% de março para cá, para a casa dos US$ 70,00, mas
ainda sem contrapartida de demanda. "E o número de contratos
que tem sido negociado se assemelha à quantidade transacionada
quando estava em US$ 140,00, é típico de um movimento
especulativo."
O desempenho
do Ibovespa em junho, com queda de 3,26%, evidenciou o quanto o
mercado local está refém do fluxo externo. Por isso,
na sua seleção, a Ativa Corretora se mantém
100% Brasil, conforme destaca a chefe de análise Luciana
Leocádio.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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