Exportações de industrializados devem cair 35%

01/07/2009 - A exportação brasileira de produtos manufaturados e semimanufaturados deve encolher 35% em 2009, segundo estudo divulgado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O dado, se confirmado, seria determinante para uma queda de ao menos 7,5% na produção industrial.

Nas contas do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da entidade, baseadas em pesquisas de perspectivas de exportações junto a empresas filiadas a ela, as vendas externas de produtos industrializados cairiam de US$ 119,8 bilhões em 2008 para US$ 77,9 bilhões neste ano.

Esta queda sozinha responderia por uma retração de 5,5% na produção industrial, sendo elevada a 8,8% devido aos efeitos indiretos dos produtos exportados na cadeia produtiva. Este número vai para os 7,5% projetados para a queda na produção industrial em 2009, porém, graças ao desempenho positivo do mercado interno.

O desempenho das exportações brasileiras será especialmente ruim porque as vendas são feitas principalmente para locais onde a crise financeira global teve o impacto mais forte, como Estados Unidos, Europa e América Latina.

A situação poderia ser ainda pior, segundo a Fiesp, se o câmbio não jogasse a favor dos exportadores neste momento. Enquanto no ano passado a cotação média para o dólar foi de R$ 1,80, neste ano prevê-se que fique em R$ 2, o que dá um ganho de aproximadamente 10%.

As contas da entidade também levam em conta que a produção industrial cresça em média aproximadamente 1,3% ao mês, o mesmo que ocorreu nos últimos três meses (março, abril e maio).

Segundo o estudo, o desempenho do mercado interno compensará em parte o estrago causado na indústria devido à queda das exportações. Porém, a menor concessão de crédito e a redução da massa salarial apontam para um efeito mais modesto das vendas internas no resultado final da produção.

No acumulado do ano, a concessão de crédito para a pessoa jurídica está 13% menor do que na média do ano passado. Na mesma base de comparação, o crédito para pessoa jurídica é 1,9% menor. Já a massa salarial real ainda está em alta na comparação com o mesmo mês de 2008, mas está em ritmo de desaceleração desde o início do ano.

Fonte: Folha Online. Adaptado por Celulose Online