Cenibra prevê estabilidade no segundo semestre

Crédito para exportação está caro

BRUNO PORTO

26/06/2009 - Depois da volta dos estoques em níveis pré-crise, a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) não prevê aumento nas vendas para o segundo semestre. A empresa, com planta em Belo Oriente, no Vale do Aço, é fabricante de celulose branqueada de eucalipto. A produção do ano deve ficar em 1,2 milhão de toneladas, a mesma do ano passado.

ALISSON J. SILVA

Fernando da Fonseca: mercado ainda está
muito longe de voltar à normalidade

Segundo o diretor-presidente da companhia, Fernando Henrique da Fonseca, o custo do crédito para exportação está muito alto e as garantias bancárias dos compradores, que desapareceram em virtude da crise, ainda estão longe de voltar à normalidade.

No final do ano passado os estoques de celulose da Cenibra atingiram o equivalente a 52 dias de produção. Atualmente, conforme Fonseca, estão dentro do considerado normal (38 dias) e a expectativa é que se mantenham neste patamar até o encerramento deste exercício.

Mesmo com a previsão de fechar 2009 com o mesmo volume de vendas do ano passado, o faturamento certamente não será o mesmo. Em outubro de 2008 o preço da celulose para a Europa bateu em US$ 800 a tonelada, porém já está em US$ 530, segundo o diretor-presidente da Cenibra. O preço atual do insumo para a China é de US$ 430 a tonelada e de US$ 580 para os Estados Unidos.


Embarques - Os embarques também mudaram de destino. A China, que era considerada um mercado marginal, agora passou a ser o principal destino das vendas externas da empresa.

"Europa e Estados Unidos terão condições de voltar a encomendar o mesmo volume a partir de 2011. Os chineses passaram a realizar pedidos, pois os estoques do país asiático foram esgotados em dezembro", afirmou.

As exportações para os dois maiores compradores recuaram 30% no acumulado deste ano em relação ao ano passado. As adversidades do mercado fizeram o risco do negócio aumentar.

"Não existem mais seguradoras no mercado e a empresa tem que incorporar ao negócio o risco da transação. Com isso, sabendo das dificulades de diversas empresas, muitos negócios ficam inviabilizados", disse Fonseca.

No mesmo período, devido à expressiva queda nos preços da celulose, o faturamento da empresa contabilizou retração entre 25% e 30%.

O crédito para exportação está com os custos mais elevados, o que também impede a expansão dos negócios. "O dinheiro existe no mercado, mas não compensa a contratação com as condições impostas", afirmou.

Aportes - Quanto aos investimentos, Fonseca afirmou que anualmente a Cenibra injeta US$ 10 milhões em melhorias na produção e manutenção de equipamentos, o que não foi alterado mesmo com o desaquecomento da economia.

Em relação aos aportes de US$ 2 bilhões que a compnhia prevê até 2013 na construção da terceira linha de produção em Belo Oriente e no plantio de eucalipto, o diretor-presidente afirmou que o planejamento não sofreu alterações, mas o cronograma prevê o início da contratação das obras apenas em 2011.

Para a base florestal a previsão é que sejam alocados US$ 400 milhões. A expectativa é que dois anos antes dos eucaliptos serem cortados seja iniciada a produção na nova unidade.

Fonte: Diário do Comércio=