|
Lula
deve vetar parte de MP ambiental
24/06/2009 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
decidiu que vetará a parte da MP 458 -chamada de "MP
da Grilagem" por grupos ambientalistas- que permite a transferência
de terras da União para pessoas jurídicas.
A medida
provisória foi aprovada pelo Senado no início do mês,
com o objetivo de regularizar 67,4 milhões de hectares de
terras públicas ocupadas ilegalmente na Amazônia, área
equivalente às áreas somadas da Alemanha e da Itália.
Parte
do artigo 7º da medida provisória, que autorizava a
transferência de terras para empresas, era uma das mais polêmicas.
Agora, apenas áreas pertencentes a pessoas físicas
poderão ser regularizadas.
O presidente
ainda estuda se vai vetar outro ponto da MP que levantou bastante
discussão -o artigo 2º, que permite que terras em nomes
de terceiros sejam regularizadas. Segundo um assessor direto que
acompanha as discussões sobre o tema, Lula ainda está
em dúvida sobre esse artigo.
O presidente
deve bater o martelo hoje sobre todos os possíveis vetos
e a sanção da MP, uma das mais importantes e polêmicas
da área ambiental nos últimos anos.
O texto
prevê a doação de terras com até 100
hectares, uma cobrança simbólica para as propriedades
com até 400 hectares e a venda daquelas que têm até
1.500 hectares para os proprietários que já estavam
lá até 2004.
Nova
reunião
Hoje, em Brasília, Lula deve se reunir novamente com ministros
de todas as áreas relacionadas ao tema para chegar à
decisão final.
Apesar
do objetivo de regularizar a situação fundiária
numa área sem lei, o que, na visão do governo, permitiria
conter o desmatamento, a medida tem encontrado muita resistência.
A ex-ministra
do Meio Ambiente e hoje senadora Marina Silva (PT-AC) vem defendendo
que Lula vete os incisos 2 e 4 do art. 2º, que autorizam a
regularização de terras ocupadas por prepostos; o
art. 7º, que permite a transferência de terras da União
para pessoas jurídicas e para quem já possui outras
propriedades rurais; e o art. 13, que dispensa a vistoria prévia.
A MP
é defendida como "moralizadora" por entidades ruralistas,
que conseguiram incluir no texto algumas das medidas mais controversas,
durante a sua tramitação.
Fonte:
Folha de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
|