Para CNI, crise na indústria continua

22/06/2009 - A crise continua na indústria brasileira, de acordo com o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto. "O tal discurso otimista que tem ganhado espaço, que o Brasil fez a travessia, é irrealista. Para a indústria, estamos em plena crise. Temos de insistir nessa agenda estruturante para sair da crise e para que a indústria brasileira não venha a ser menos importante num cenário pós-crise", disse ele.

Entre os problemas estruturais que a indústria enfrenta, ele citou o acúmulo de créditos tributários, que impedem a desoneração ao longo da cadeia produtiva, tais como a tributação excessiva da energia elétrica e os encargos sobre a folha de pagamentos.

"Ou essas questões são enfrentadas, ou o Brasil poderá, no pós-crise, ter uma indústria menor, o que dará margem a um processo de desindustrialização", afirmou.

Indústria mais atingida
Ele lembrou que a indústria brasileira foi a mais afetada pela crise. "Os números são eloquentes. A queda das exportações no setor de manufaturados é dramática, estamos chegando a uma queda de quase 40%. Isso significa que estamos perdendo empregos no setor", disse.

Segundo o presidente da CNI, o ritmo de queda da atividade industrial é três vezes maior, em média, do que o do restante da economia. Enquanto o PIB caiu 0,8%, no primeiro trimestre, em relação ao quarto trimestre do ano passado, o PIB industrial teve queda de 1,8%.

Monteiro ainda comentou que a CNI é favorável à manutenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) menor para os setores automotivo, de eletrodomésticos e de construção civil.

"Se você tem uma queda muito forte nas exportações e precisa do mercado interno para sustentar o setor, como o automotivo, que responde por mais de 20% do PIB da indústria de transformação, esse efeito combinado é muito ruim. O IPI cumpriu um papel muito importante", concluiu.

Fonte: Infomoney. Adaptado por Celulose Online