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Indústria
contribuiu para retração do emprego
22/06/2009 - A indústria, que responde por aproximadamente
26% da mão de obra empregada no país, foi a principal
responsável pela queda no nível do emprego a partir
de setembro e pelo fechamento de 147.178 postos de trabalho com
carteira assinada no primeiro quadrimestre deste ano, de acordo
com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Apenas em abril, o segmento apresentou geração líquida
de empregos, com saldo de 183 novos postos. A recuperação
concentrou-se em postos com remuneração de até
1 salário mínimo.
Dos
12 setores da indústria da transformação, apenas
três acumularam saldo positivo de contratações:
alimentos, com geração líquida de 3.780 vagas,
borracha, fumo e couro, com 7.649 vagas, e calçados, com
9.303 vagas. Em abril, além desses setores, a indústria
têxtil e do vestuário também gerou 328 postos
de trabalho. Em todos os casos, a recuperação começou
por vagas com nível salarial mais baixo e, com exceção
do setor de borracha, nos demais setores industriais houve preferência
pela contratação de profissionais com nível
de escolaridade mais alto.
O professor
e pesquisador do Cesit da Unicamp, Anselmo Luís dos Santos,
observa que, de 2004 a 2008, o mercado de trabalho passou por um
crescimento expressivo, mas as ocupações de baixo
rendimento, manuais e mais ligadas à prestação
de serviços e comércio cresceram abaixo da média,
enquanto as ocupações mais ligadas à indústria
e que exigiam nível técnico ou superior cresceram
a um nível muito mais forte, abrindo oportunidades para ocupações
com renda mais elevada.
"As
melhores ocupações cresceram mais e estimularam a
melhor formação dos trabalhadores. Indiretamente,
essa mudança acabou elevando também o padrão
de profissionais que ocupam as ocupações de salários
mais baixos", diz. Com a crise externa e o grande volume de
demissões a partir de setembro, o número de profissionais
desempregados com maior qualificação cresceu e esses
profissionais fatalmente 'ganharam a concorrência' na disputa
pelas vagas que ressurgiram, avalia.
Para
o pesquisador do Cesit, a menor contratação de profissionais
com ensino superior está ligada diretamente a um processo
de reestruturação de cargos gerenciais ocorrida em
função da crise e também da valorização
cambial, no que se refere ao setor industrial exportador. "Quando
o real depreciou no fim do ano, o custo do trabalho em dólar
diminuiu e isso eu um certo fôlego às indústrias.
Com a valorização recente do real, esse custo voltou
a subir. Ajustar a quantidade de salários pagos é
uma maneira de reduzir o custo do trabalho mantendo o nível
do emprego, o que também é positivo, se se considera
que a massa de rendimentos desacelera, mas não há
queda", afirma.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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