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Cresce
número de empresas que não vão investir
17/06/2009 - O número de empresas que não possuem
programa de investimentos para este ano aumentou, voltando aos níveis
de 2004. Foi o que revelou a pesquisa Sondagem de Investimentos
da Indústria de Transformação, divulgada ontem
pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Das 820 empresas
pesquisadas, 26% afirmaram que não planejam investir, sendo
que, no ano passado, esta porcentagem ficava em 14%. "O ímpeto
das empresas em investir diminuiu diante das incertezas", afirma
Aloísio Campelo, coordenador de Sondagens Conjunturais do
Ibre/FGV.
Entre
as categorias analisadas, a de bens intermediários - que
inclui a indústria metalúrgica, química e de
papel e celulose, entre outros - foi a que apresentou a maior proporção
de empresas sem programas de investimentos, com 35%, maior nível
da série histórica, iniciada em 1999. Em 2008, esta
proporção ficou em 16%.
A categoria
material para construção também marcou recorde,
saindo de 22% no ano passado para 33% agora. A intenção
de investir no segmento de bens de capital passou de 14% para 25%,
enquanto em bens de consumo ela subiu de 18% para 25% das menções.
"A incerteza acerca da demanda é o principal fator limitante
à realização de investimentos. Isto mostra
que as incertezas ainda são muito importantes, ainda têm
muito peso nas decisões das empresas", explicou Campelo.
O levantamento
confirmou essa percepção das companhias, dado que
50% dos consultados afirmaram que as dúvidas com relação
à velocidade da retomada da demanda são um fator limitante
de seus investimentos. No ano passado, essa proporção
era de 18%, enquanto em 2007 alcançava 32%. "Neste ano
essa resposta veio muito diferente do que era observado na série
histórica, que mostrava que a previsibilidade e a confiança
estavam aumentando", diz o especialista.
Outro
fator de preocupação citado pelas empresas foi a limitação
de crédito, que passou de 16% em 2008 para 28%, e a limitação
de recursos, saindo de 33% para 35%. Campelo explica que isso mostra
uma alteração das respostas, que costumavam enfatizar
a carga tributária. "No ano passado, 48% das companhias
colocavam a carga tributária como fator limitante dos investimentos,
agora somente 29% a identificam assim", diz.
Os
objetivos para realização de investimentos das empresas
também sofreram alterações. Enquanto 36% das
companhias afirmaram ter intenção de aplicar recursos
no aumento da eficiência produtiva, 24% planejam expandir
a capacidade de produção. "O ímpeto de
investimentos na ampliação da capacidade produtiva
recuou para os patamares de 2003", destaca o especialista,
enfatizando que há uma forte relação entre
o nível de utilização da capacidade produtiva
e sua expansão. O nível médio (em 12 meses)
de utilização da capacidade da indústria ficou
em 82,6% em abril de 2009, o menor desde abril de 2004.
Pelo
levantamento, as empresas esperam uma alta de 7,8% no investimento
total da indústria de transformação em 2009
frente a 2008. No ano passado, o crescimento sobre 2007 foi projetado
em 16% pelas indústrias.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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