|
Setor
de papel e papelão se recupera
JANINE HORTA
13/06/2009
- A indústria de papel e papelão em Minas Gerais apresenta
sinais de recuperação após queda acentuada
de vendas nos primeiros meses de 2008. Em janeiro e fevereiro o
setor teve retração de 30% a 40% no volume de produção,
segundo dados levantados pelo Sindicato das Indústrias de
Celulose, Papel e Papelão do Estado de Minas Gerais (Sinpapel-MG).
Em abril e maio houve recuperação de 15% a 20% da
produção em relação aos primeiros meses
do ano.
A queda
na produção é atribuída à crise
na indústria brasileira como um todo, cuja demanda por embalagens
de papel e papelão despencou. Já nas vendas de celulose,
cuja produção é aproximadamente 90% voltada
para o mercado externo, também houve queda, segundo o Sinpapel,
mas em menor patamar.
"Desde
março o setor de celulose vem crescendo, com a volta da China
como comprador do produto brasileiro. As indústrias de celulose
já apresentaram um crescimento entre 5% e 10% em maio em
relação a abril, e praticamente já recuperaram
o volume de produção de antes da crise", afirma
o presidente do Sinpapel, Antônio Eduardo Baggio, que é
diretor da Imballaggio Ltda, instalada em Belo Horizonte.
Baggio
acredita que o setor de papel e papelão, até o final
do ano, deverá recuperar níveis de produção
semelhantes aos de 2007. "O ano passado foi um período
atípico, com produção muito alta e um crescimento
irreal, que não se sustentaram com a crise. Acredito que
se fecharmos o ano de 2009 igual a 2007, estaremos bem", observa
o empresário.
Faturamento
menor - Na Cenibra, em Belo Oriente, no Vale do Rio Doce, que
produz celulose branqueada de eucalipto, a produção
não caiu, apesar da crise, mas houve queda no faturamento.
Segundo o presidente da empresa, Fernando Henrique da Fonseca, a
retração ocorreu devido a uma mudança de mercado.
Antes da crise, os principais compradores eram Estados Unidos e
Europa. Mas, com a crise, a China assumiu esse posto.
"A
China ficava com apenas 15% de nossa produção e hoje
está com 30%. Não paramos de vender, vendemos o tempo
todo, mas agora o preço é menor. Então, nosso
faturamento caiu de 25% a 30%", explicou Fonseca. Segundo o
empresário, as vendas para aquele país poderiam ainda
ser maiores, mas o consumo per capita de papel na China ainda é
baixo. Fonseca atribuiu o cenário à situação
econômica chinesa. "O consumo de papel é maior
quando a economia do país vai bem. Se há recessão,
o consumo cai", argumentou.
Em
Coronel Fabriciano, no Vale do Aço, a Damasceno Embalagens
Ltda, que tem 62 funcionários, sentiu os reflexos da crise,
mas menos do que o esperado. Segundo o diretor comercial da empresa,
Júnior Damasceno, quatro concorrentes de menor porte que
atuavam na região fecharam as portas por causa da crise.
Isso beneficiou a empresa, que tem conseguido atender a todo o mercado
abandonado pelas empresas extintas, praticamente sem concorrentes.
"Como
eram indústrias menos estruturadas, de porte menor, não
resistiram à queda nas vendas do setor, que chegou a 25%
de janeiro a maio deste ano em relação ao ano passado
e, assim, acabaram fechando. Com isso, ficamos sozinhos no mercado
da região Leste de Minas Gerais", observou Damasceno.
Entretanto, o empresário acredita que essa situação
é passageira. "Com a recuperação da economia,
as empresas que fecharam acabam voltando com outros nomes. Acredito
que a economia brasileira irá se recuperar em breve",
previu.
Fonte: Diário do Comércio
|