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Crise
fez diminuir emissões de CO2
15/06/2009 - A crise financeira é ruim para o bolso, mas
boa para a natureza. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), quase 2 milhões de toneladas de gases do
efeito estufa deixaram de ser emitidas pela indústria brasileira
entre novembro e abril.
A maior
contribuição ambiental veio da indústria de
ferro e aço, um dos setores que mais sentiram o baque da
crise - em abril, o volume de exportação foi para
um terço da média histórica. Com isso, economizou-se
a emissão de 1,12 milhão de toneladas de CO2 equivalente.
Para cada tonelada de aço produzida, emite-se em média
1,6 tonelada de carbono.
Em
seguida aparece o setor automobilístico: 569 mil toneladas
de CO2 deixaram de ir para a atmosfera, pelo cálculo de quanto
combustível deixou de ser queimado. Na média entre
gasolina e álcool, são liberados 195 gramas de carbono
por quilômetro rodado, considerando que o veículo percorra
30 km em cinco anos.
A indústria
do cimento foi a mais atingida pela crise, uma vez que os Estados
Unidos cancelaram toda sua compra para três meses. De 40 milhões
de quilos exportados por mês, em média, o setor exportou
apenas 6 milhões em abril. O ganho ambiental, contudo, foi
de apenas 54 mil toneladas de CO2 - para cada tonelada de cimento,
0,51 tonelada de carbono é emitida.
Por
último, aparece a indústria do alumínio: 40
mil toneladas de carbono economizadas. Apesar de requerer muita
energia em suas fábricas (em uma relação de
1 para 1,6, como acontece na indústria do aço), o
benefício ambiental foi relativamente baixo porque o setor
conseguiu recuperar, já no início desse ano, uma parte
do mercado perdido.
O volume
de CO2 economizado - 1,7 milhão de toneladas - renderia US$
11 bilhões. Isso no mercado americano, em que o carbono vale
menos do que no europeu.
Véu
de fumaça
A economia é pouca comparado ao tamanho do problema ambiental.
Representa apenas 5,8% das 29 milhões de toneladas que a
indústria paulista emite em um ano, por exemplo.
Além
disso, com o reaquecimento econômico, a taxa de emissão
volta ao patamar antigo, uma vez que o setor não é
obrigado a repensar métodos de produção.
Nos
Estados Unidos, o presidente Barack Obama condicionou a ajuda financeira
às montadoras à aplicação de novos padrões
de eficiência do motor, com o objetivo de economizar gases-estufa.
A lei
brasileira não exige o detalhamento das emissões de
gases-estufa. Contudo, as empresas têm a informação.
Fonte:
Estado de São Paulo. Adaptado por Celulose Onlin
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