Indústria considera a redução positiva

12/06/2009 - Brasília - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, considerou "positiva e em sintonia com o ajuste rápido e intenso de que o Brasil necessita" a redução de 1 ponto percentual da taxa Selic, conforme anunciada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do do Banco Central.

Monteiro Neto ressaltou que a economia do país continua apresentando sinais desfavoráveis. "O resultado do PIB no primeiro trimestre divulgado ontem (terça-feira), apesar de melhor do que o esperado pelo mercado, mostra a extensão do forte impacto recessivo que o Brasil sofreu com a crise internacional."

Ele lembrou que o investimento, que é condição necessária para o crescimento sustentável, apresentou queda inédita de dois dígitos (em comparação com o trimestre anterior). "Os indicadores de produção e emprego da indústria ainda estão longe de apresentar um sinal de recuperação, demonstrando apenas que o ritmo de piora diminuiu", afirmou.

Para ele, a desaceleração no IPCA (no acumulado em doze meses) mostra que há espaço para um maior corte nos juros. "Nesse sentido, é importante que o Copom mantenha o ciclo de cortes na Selic, em suas próximas reuniões, de modo a permitir a normalização da situação da economia e o retorno ao crescimento."

Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que a "redução da Selic pelo Copom tem sido muito lenta e continua aquém da realidade". "Apesar de finalmente chegar a um dígito, o juro básico de 9,25% ao ano ainda nos mantém com taxa real superior a 5%, a mais elevada do mundo", afirmou.

Skaf afirmou que "o Brasil ainda não venceu a crise internacional. Portanto, é decisivo diminuir o custo do dinheiro para os setores produtivos e o mercado consumidor, estimulando a economia."

O presidente da Fiesp ressaltou também que a expectativa de inflação está abaixo da meta, tanto para 2009 quanto 2010. "Ademais, entre janeiro e abril deste ano, a produção industrial foi 15% menor em relação ao mesmo período de 2008." (FP)

Fonte: Diário do Comércio