Relatório cria pegadas para medir impacto

Por Andrea Berzotti/Candida Lemos

12/06/2009 - Que marcas você quer deixar no planeta? É com essa pergunta que o WWF - Brasil, organização não-governamental que atua na conservação da natureza vem convocando o público e as nações a refletir melhor sobre o impacto de suas ações. Há três anos, a entidade trouxe para o Brasil o conceito da Pegada Ecológica, criada na década de 1990, nos Estados Unidos.

"A Pegada Ecológica é uma ferramenta de cálculo que mede o quanto de natureza precisamos para manter nosso estilo de vida", explica Irineu Tamaio, coordenador do Programa de Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF - Brasil. Segundo Tamaio, que também é doutor em desenvolvimento sustentável pela Universidade de Brasília (UnB), os resultados concretos da ferramenta podem ser vistos no Relatório Planeta Vivo, publicado a cada dois anos, que mostra o tamanho da pegada, ou seja, das marcas deixadas no planeta por nações de todo o mundo com população superior a um milhão de habitantes. "O que o relatório mostra é que a demanda por natureza vem aumentando e aponta também uma queda da sustentabilidade", afirma Irineu Tamaio. A solução, segundo ele, estaria também em repensar os modelos de políticas públicas voltados à preservação.

Diante dos números, Tamaio faz um alerta: "Se continuarmos neste ritmo, até 2040 poderemos ter uma grave crise ecológica", diz. Com a Pegada Ecológica, o que o WWF-Brasil pretende é mostrar também o que cada indivíduo possa fazer. "A intenção é provocar reações e perplexidade, gerando nas pessoas possibilidades de mudança".

Só para se ter uma ideia, o Brasil, com seu atual estilo de vida, consome 30% além das suas necessidades, o que significa usufruir de um planeta inteiro e mais um quarto, de acordo o Relatório Planeta Vivo. O tamanho da pegada dos brasileiros chega a superar a dos chineses, que consomem um planeta. Isso se explica, segundo Irineu, porque a metodologia considera o consumo de recursos naturais em função da população de cada país. Já o país com o estilo de vida mais impactante são os Estados Unidos que, de acordo Tamaio, consomem sozinhos 30% da energia mundial.

A metodologia considera também o consumo per capta de áreas globais produtivas. Neste caso, o relatório aponta que 1,8 hectares globais ao ano seriam o saudável, em termos ambientais. "A medida mundial, no entanto, mostra um consumo per capta de 2,1 hectares globais de terras produtivas, o que exclui desertos, geleiras, mares etc", justifica.

O que aumenta a pegada
De acordo com Tamaio, a ação que mais contribui para o aumento da pegada ecológica das nações é o consumo de energia oriunda de combustíveis fósseis, maior responsável pela emissão de CO2. "Nosso modelo de desenvolvimento está em colapso, por isso não haverá recursos para atender a todos os humanos", alerta. Por causa disso, a organização estimula práticas como a reciclagem e até mesmo o consumo de produtos que gerem a menor quantidade possível de embalagens.

O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996 e sediado em Brasília, a entidade desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, uma rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

Mais informações sobre o tamanho da pegada deixada no planeta pode ser conferido no site e fazer o teste. O site também dá dicas sobre como diminuir os impactos ao meio ambiente.

Fonte: Celulose Online