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Real
valorizado é dupla armadilha para indústria
21/05/2009 - Na saída da crise financeira, o câmbio
valorizado pode causar mais estragos na indústria brasileira
do que na entrada. Com o dólar ameaçando romper para
baixo o nível de R$ 2, as indústrias brasileiras se
veem às voltas com um duplo problema: a perda de competitividade
cambial aliada à redução da demanda global.
O economista
Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central (BC), em sua
apresentação no Fórum Nacional na terça-feira,
no Rio, explicou que há uma assimetria nas reações
atuais da economia mundial. Segundo o trabalho, "enquanto a
recuperação da atividade econômica é
lenta, impedindo o estímulo às exportações
brasileiras através do crescimento dos preços de commodities
e do crescimento do comércio mundial, a recuperação
dos ingressos de capitais é mais veloz, o que conduz à
valorização do câmbio real".
Para
Luiz Carlos Mendonça de Barros, sócio da Quest Investimentos
e ex-ministro das Comunicações, a indústria
vai sofrer mais do que os exportadores de commodities, porque o
preço das matérias-primas e produtos básicos
está se recuperando. Desta forma, o preço em reais,
considerando-se que a queda do dólar é compensada
pela alta da cotação das commodities, mantém-se
aproximadamente estável.
Paulo
Pereira Miguel, economista-chefe da Quest, mostra um gráfico
do índice CRB de commodities em reais, que apresenta uma
oscilação em faixa não muito ampla desde o
início da crise em meados de setembro, com apenas um breve
momento de queda mais pronunciada.
Mendonça
não enxerga um movimento autônomo de valorização
do real, mas sim uma queda do dólar americano ante as moedas
que integram a cesta de opções dos investidores internacionais.
"Com a confiança conquistada pelo Brasil e o acúmulo
de reservas, o real ingressou nessa cesta, o que tem aspectos positivos
e negativos", ele diz.
Os
negativos concentram-se na indústria de manufaturados que,
ao contrário das commodities, não goza da proteção
oferecida por aquele movimento inverso entre os preços e
o valor do dólar. "Os manufaturados já estão
perdendo competitividade e lucratividade", alerta José
Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de
Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Fonte:
O Estado de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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