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Minc
busca apoio para barrar Código Florestal
21/05/2009 - Acuado pela ação do forte lobby ruralista
no Congresso, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reagiu ontem
às propostas de reforma do Código Florestal Brasileiro
ao anunciar uma "sólida aliança" com movimentos
sociais de produtores familiares, assentados da reforma agrária,
agricultores sem terra e ambientalistas.
Na
tentativa de buscar aliados para demonstrar força nos debates
internos no governo, Minc prometeu tratamento "diferenciado"
a pequenos produtores rurais. O ministro afirmou, ainda, que a aliança
com os produtores familiares seria estratégica para evitar
uma "derrota histórica" nas discussões sobre
a reforma do Código Florestal no Congresso. O avanço
das teses ruralistas no Congresso preocupa os ambientalistas.
Para
convencer os novos aliados, o ministro acenou com concessões
em propriedades de até quatro módulos fiscais (cerca
de 400 hectares) e mão de obra familiar. Poderiam ser permitidas
a recomposição de áreas de preservação
permanente (APPs) com espécies nativas combinadas ao plantio
de frutas e somadas as APPs com áreas de reserva legal. Também
haveria pagamento por serviços ambientais, a regularização
fundiária e a compensação de áreas degradadas
com doações de áreas preservadas. Representantes
dos pequenos produtores reivindicam incentivos econômicos
e fiscais para apoiar as propostas de Minc. Também querem
financiamento público para a recuperação de
áreas degradadas.
Criticado
por ambientalistas por apoiar a MP de regularização
fundiária na Amazônia, o ministro informou ontem que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar no Dia
Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, o decreto que prevê
o pagamento por serviços ambientais. Isso, segundo ele, permitirá
ao agricultor receber pela recuperação de áreas
desmatadas. O cálculo desse pagamento ainda não foi
definido, segundo Minc.
Pelas
propostas, debatidas em reunião apoiada por parlamentares
da bancada ambientalista, seria permitido a pequenos produtores
o cultivo em regiões com declividade superior a 45 graus
(topos de morro). "Tem que haver essa diferenciação
da agricultura familiar e do agronegócio. Vamos manter e
apoiar o Ministério do Meio Ambiente e derrubar as propostas
dos ruralistas", disse a secretária de Meio Ambiente
da Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag),
Rosecléia dos Santos.
Na
reunião, Minc afirmou que o encontro era o início
do "movimento de reação" contra as alterações
propostas na medida provisória 459, que modifica a legislação
ambiental. "Não queremos uma derrota honrosa",
afirmou. "Vamos dar um tratamento diferenciado à produção
familiar para fazer face ao rolo compressor dos ruralistas e terminar
de vez com esse terrorismo que está sendo tocado em cima
do pequeno agricultor, que acaba sendo arregimentado para interesses
daquele que quer passar a motosserra e o trator em cima do que restou."
Os
ruralistas querem dar autonomia aos Estados para legislar sobre
questões ambientais. Em Santa Catarina, uma lei permitiu
a redução de APPs em regiões degradadas. Na
reunião, secretários estaduais de Meio Ambiente e
parlamentares defenderam as propostas e rejeitaram mudanças
propostas pelos ruralistas. O senador Renato Casagrande (PSB-ES)
afirmou ser "necessária" pressão da sociedade
civil sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para a revogação
da lei catarinense.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Onlinec
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