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Cidades
terão mapeamento de fragilidade ambiental
19/05/2009 - "É uma negociação muito árdua
e, como se pode ver, não é apenas uma negociação
ambiental", começou o ministro Luiz Alberto Figueiredo,
o chefe dos negociadores brasileiros no debate internacional sobre
mudança climática. "Tem tudo a ver com padrões
de consumo, com impactos em taxas de crescimento dos países,
com efeitos no comércio internacional e em várias
outras áreas" prosseguiu, dando uma ideia do impacto
que o que se discute nas Nações Unidas pode ter na
vida das pessoas e no cotidiano das cidades.
Figueiredo
falou a 140 representantes de governos estaduais e municipais reunidos
em Brasília, durante a 1ª Jornada sobre Mudanças
Climáticas e Consumo Sustentável, promovido pelo Iclei,
uma organização internacional que reúne mais
de mil governos locais no mundo. Ele ressaltou a necessidade de
estudos mais amplos de vulnerabilidade aos efeitos das mudanças
climáticas. Tendo esses diagnósticos, será
possível desenvolver planos de adaptação mais
acurados.
"Na
mudança do clima há impactos possíveis, outros
prováveis e outros completamente desconhecidos", prosseguiu.
Contou o caso de um inseto canadense que nasce, se reproduz, se
alimenta e morre no verão. "Mas com mais dias de verão,
passou a se alimentar e se reproduzir mais e se transformou em praga
que provocou prejuízos enormes à indústria
madeireira do Canadá", continuou. "A mudança
do clima produz efeitos imprevisíveis como este."
Estudos
da vulnerabilidade de São Paulo e Rio já estão
sendo feitos pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia
para Mudanças Climáticas (INCT), ligado ao Ministério
da Ciência e Tecnologia e criado em fevereiro, dentro do chamado
PAC da Ciência. "O diagnóstico deve estar pronto
em março", diz o climatologista Carlos Nobre, coordenador
do INCT.
O mapeamento
das fragilidades das cidades ao aumento do nível do mar,
à seca, aos efeitos na saúde pública, nas florestas
e nos recursos hídricos será elaborado também
em Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Belém, Recife,
Fortaleza, Brasília e Curitiba, em um investimento de R$
1,5 milhão. No caso de São Paulo e Rio, os recursos
giram em torno a R$ 1 ilhão. A ideia é dar subsídios
aos governos para que tracem estratégias de adaptação
mais ágeis e com horizontes de cinco anos.
"Se
as cidades são parte do problema, elas também podem
ser parte da solução" lembrou Laura Valente Macedo,
diretora do Iclei para a América Latina. Só que apenas
oito municípios no Brasil fizeram seu inventário de
emissões e assim sabem quanto contribuem para as mudanças
climáticas e onde devem agir. No caso dos Estados, três
têm a radiografia de sua poluição - São
Paulo, Rio e Minas. Mato Grosso, Pernambuco e Bahia estão
fazendo seus inventários.
O prefeito
de Apuí, Antonio Marcos Maciel Fernandes (PSB-AM), contou
como seu município está agindo para enfrentar um desafio
que é global. Ele ingressou na rede mundial do Iclei de cidades
pela proteção do clima. Tinha alguns trunfos na mão.
Apuí, que fica na beira da Transamazônica, se tornou
uma barreira verde ao desmatamento que sobe pelo Mato Grosso, Pará
e Rondônia. Tem nove unidades de conservação,
que somam 2,46 milhões de hectares de reserva e deve assinar
em breve um pacto local pelo desmatamento zero junto com os pecuaristas.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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