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Consumidor
já valoriza a certificação
18/05/2009 -O consumidor brasileiro compraria um produto florestal
com certificado ambiental e pagaria um valor maior por isso. E mais
gente diz que daria preferência a carnes, frutas ou legumes
que viessem com um selo garantindo sua produção de
acordo com o manual socioambiental, mesmo que fossem mais caras
que as de origem incerta e duvidosa.
É
este o diagnóstico de uma pesquisa Datafolha encomendada
pela ONG ambientalista Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
e feita com 2055 pessoas, de 18 anos ou mais, espalhadas pelo país.
No primeiro caso, 81% dos entrevistados disseram que sim, escolheriam
madeiras, pisos, portas ou mel e castanhas que fossem mais "verdes"
e socialmente justos. No segundo, 85% revelaram que pagariam mais
caro por produtos agrícolas ou carne certificada - uma prática
recente e ainda tímida no Brasil. "A pesquisa mostra
uma familiarização progressiva do brasileiro com o
tema e a disponibilidade de pagar por isso" comemora Roberto
Smeraldi, diretor da Amigos da Terra. "E pedir o mesmo nos
produtos agropecuários me parece uma evolução
importante".
O ex-ministro
da Agricultura Roberto Rodrigues, hoje coordenador do Centro de
Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas,
é mais cético e relativiza a promessa do consumidor.
"Este mercado ainda não é claro", diz. "Na
hora de expressar a intenção, o pessoal diz que pagaria
mais. Mas lá no supermercado, quando se apresenta um produto
mais caro e outro mais barato, o cliente fica com o barato."
E emenda: "Mas acho que, no longo prazo, isso vai acontecer."
Smeraldi
e Rodrigues, junto de outros ambientalistas, produtores e sindicalistas,
estão à frente de uma experiência pioneira no
país - a Iniciativa Brasileira para Certificação
Agrícola e Pecuária -, que começou há
três anos. A lógica do movimento é a constatação
que o Brasil está em primeiro ou segundo lugar na produção
das principais commodities do mundo e seria natural que liderasse
um processo de certificação agropecuária. "Não
quero correr o risco de ter que engolir a certificação
de terceiros ou uma picaretagem", diz Rodrigues. "Pensamos
em montar algo sério, uma certificação sobre
a égide do tropicalismo, em um processo de equilíbrio
entre produtor, ambientalista e consumidor."
Dentro
do fórum, ambientalistas e exportadores puxam o coro de critérios
rigorosos, para dar credibilidade ao processo. Quem trabalha mais
no mercado interno tende a puxar o freio, dizer que muita sofisticação
excluirá participantes. A sinalização da pesquisa
Datafolha, no entanto, é a de que os consumidores querem
conhecer a origem dos produtos que compram. Há dois anos,
uma outra pesquisa com amostra semelhante foi feita pelo Ministério
do Meio Ambiente com a organização não governamental
ISER e conduzida pelo Vox Populi. Ali, a marca da mais famosa certificação
no Brasil, o selo FSC do Forest Stewardship Council, era desconhecida
do público. Agora, na enquete Datafolha, 20% dos entrevistados
disseram conhecer produtos com selo FSC. De maneira espontânea,
citaram a Faber-Castell e a Natura como empresas que exibem o selo
em seus produtos.
"Apesar
da crise e de tudo o que está acontecendo, nunca a certificação
cresceu tanto", diz o biólogo brasileiro Roberto Waack,
chairman do FSC, entidade internacional com base na Alemanha. "Os
níveis de crescimento são históricos",
reforça. O Brasil, lembra, é muito forte no segmento
de florestas plantadas, mas tem participação tímida
na produção de madeira tropical certificada. Luis
Fernando Guedes Pinto, secretário-executivo do Imaflora,
o principal certificado do Brasil, diz que "a sociedade brasileira
acordou para o fato que a agropecuária é o grande
vetor de impacto no país, seja de desenvolvimento, degradação
ou condições de trabalho". Segundo ele, o consumidor
ainda não entende a conexão que o açúcar,
o café ou o bife têm com o ambiente ou a vida das pessoas.
"Mas começa a demonstrar que quer ser informado sobre
isso". No front empresarial, destaca, "existe um grupo
de empresários que merece ser diferenciado, que têm
tecnologia, conservam o ambiente, tratam bem seus trabalhadores,
e a prova disso é que a certificação só
aumenta. É um instrumento diferenciador, a garantia daquela
diferença."
A pesquisa
Datafolha não explorou um dos tópicos mais atuais
no debate de selos e rótulos - o dos produtos que têm
organismos geneticamente modificados, mais conhecidos como transgênicos,
em sua formulação. A legislação determina,
mas os fabricantes não rotulam, amparando-se na ambiguidade
da lei ou na dificuldade de se provar a presença do transgênico
no produto. "Todos têm o direito de saber o que estão
comendo" diz Rafael Cruz, coordenador da campanha transgênicos
do Greenpeace. "Se podemos saber se um produto têm corantes
porque não saber que foi modificado geneticamente?"
questiona. "As empresas têm que cumprir a determinação
e o Ministério da Agricultura deve fiscalizar a cadeia, do
campo à prateleira."
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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