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Mercado
de trabalho desacelera, segundo Ipea
14/05/2009 - O mercado de trabalho brasileiro apresenta sinais de
"forte desaceleração do ritmo de crescimento".
Embora o número médio de ocupados no primeiro trimestre
de 2009 tenha sido 1,4% maior do que o do mesmo período em
2008, nos últimos meses o indicador apresentou trajetória
descendente, e, em março, ficou abaixo de 1%, o que só
havia ocorrido uma vez desde 2004. A constatação faz
parte do Boletim de Mercado de Trabalho, divulgado ontem pelo Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O documento
indica, no entanto, que, de janeiro a março de 2009 essa
inversão de tendência não atingiu o grau de
informalidade e o rendimento médio do trabalhador, na comparação
com os dados do mesmo período do ano passado.
De
acordo com o técnico de Planejamento da Coordenação
de Trabalho e Renda do Ipea, Roberto Gonzalez, essa realidade traduz
bons resultados, porque revela que, apesar de o mercado ter sido
atingido pela crise econômica internacional, as empresas tem
reagido à redução das perspectivas de crescimento
reajustando o nível de emprego e não substituindo
vínculos formais por trabalho informal.
Os
dados analisados no estudo apontam que o grau de informalidade sofreu
uma redução de 1,3 ponto percentual entre o primeiro
trimestre de 2009 e igual período de 2008. O movimento, de
acordo com o boletim, foi puxado pela expansão de 3,8% dos
postos formais e pela contração de 1,9% no número
de trabalhadores informais (empregados sem carteira assinada, não
remunerados e por conta própria). Também ao longo
do primeiro trimestre deste ano não houve sinal de piora.
"Apesar
da redução do crescimento do emprego, não está
havendo troca do trabalho formal pelo informal, o que é um
bom sinal, já que o trabalhador mantém o patamar de
direitos. O problema é que o Brasil vinha num processo de
crescimento de formalização e que está sendo
interrompido, mas pelo menos não estamos voltando a uma era
de informalidade, o que seria mais difícil de se reverter
e demandaria mais longo prazo", afirmou.
O técnico
do Ipea destacou ainda como fator favorável o fato de os
rendimentos não terem caído no período. No
primeiro trimestre deste ano, segundo o levantamento, houve elevação
de 5,2% no rendimento médio do trabalhador na comparação
com o do mesmo período do ano passado. Ao longo do trimestre,
constatou-se um "movimento muito tênue de declínio".
"Isso
tem segurado um pouco a queda na massa salarial", avaliou.
Roberto Gonzalez chamou a atenção, no entanto, para
a possibilidade de a demanda por mão de obra estar perdendo
o dinamismo registrado nos anos anteriores. Segundo ele, esse é
um fato "preocupante".
"Apesar
de os resultados serem satisfatórios em linhas gerais, o
que nos preocupa é a lentidão com que o mercado de
trabalho está se recuperando, em termos de criação
de emprego, após os primeiros impactos da crise. A geração
de emprego tem sido bastante pequena, menor do que seria necessário
para evitar um crescimento do desemprego. No início, ninguém
sabia até onde os efeitos da crise iriam, mas verificou-se
que o mercado de trabalho foi atingido até de forma mais
leve do que se esperava. No entanto, é preciso acelerar o
ritmo de crescimento do emprego para sair dela [da crise]",
destacou.
Ele
defendeu mais investimentos no mercado interno como forma de se
ampliar a geração de emprego, além de outras
medidas anticíclicas que o governo já vem adotando.
"Podem
ajudar neste momento a expansão do seguro-desemprego e da
transferência de renda, que ajudam a segurar a demanda, além
da ampliação do crédito e, principalmente,
dos investimentos no mercado interno. Como se trata de uma crise
internacional, todo mundo lá fora também foi atingido.
Por isso, o Brasil precisa se beneficiar do fato de seu mercado
ser bastante grande", disse.
Fonte:
Agência Brasil. Adaptado por Celulose Online
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