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Demanda
da China dá alívio à Cenibra
14/05/2009 - A retomada da demanda chinesa por celulose no primeiro
trimestre proporcionou a estabilização dos estoques,
que vinham sendo ampliados desde setembro do ano passado, em função
da redução dos preços e do consumo mundial,
conforme o diretor-presidente da Celulose Nipo-Brasileira S/A (Cenibra),
Fernando Henrique da Fonseca.
De
acordo com ele, o setor ainda sente os reflexos da crise financeira
mundial, mas já começou a desafogar os estoques. "A
China voltou a comprar nos últimos meses. Ainda é
cedo para falar em manutenção do consumo e, conseqüentemente,
em redução de estoques. É preciso aguardar
para ver se o país asiático não está
apenas fazendo reposição", avaliou.
A China,
que respondia por 20% do mercado da Cenibra, chegou a abocanhar
cerca de 40% do total da comercialização da empresa
no primeiro trimestre. "Como houve redução do
consumo por parte de outros mercados, como o europeu e o norte-americano,
fizemos um remanejamento para a China, que ampliou a demanda no
período", explicou o dirigente.
Entre
5% e 6% da produção são destinados para o mercado
interno e os principais clientes da Cenibra estão na Europa
e Ásia. Vale lembrar que os europeus amargaram reduções
de 20% nas vendas do setor entre outubro e dezembro e continuam
paralisando suas unidades de produção, assim como
os norte-americanos. Enquanto isso, no mesmo período, a Cenibra
conseguiu manter os níveis de produção e de
pessoal, apenas alongando o cronograma de investimentos de US$ 2
bilhões até 2013.
As
empresas brasileiras também foram favorecidas pela gradual
mudança no processo de substituição da fibra
longa, produzida pelos países de clima frio, para fibra curta
das fabricantes nacionais, que já estava prevista mas foi
mais rápida em função da redução
dos preços da commodities.
Outra
vantagem é que os custos de produção das fibras
longas chegam a US$ 500 por tonelada, levando as indústrias
de celulose brasileiras a ganharem ainda mais espaço em função
dos avanços tecnológicos que fazem da produção
no país ter o mais baixo custo, que em média chega
a US$ 230 por tonelada.
No
entanto, para voltar a ter lucros substanciais como no pré-crise,
as empresas precisarão aguardar uma retomada nos preços
que, segundo Fonseca, estaria longe de acontecer. "A nossa
rentabilidade praticamente zerou. Estamos trabalhando para reduzir
custos e ter ganhos em eficiência para amenizar os efeitos
da redução do preço da celulose no mercado
mundial", ressaltou.
Investimentos
- A companhia prevê investir US$ 2 bilhões até
2013 na construção da terceira linha de produção
em Belo Oriente, no Vale do Rio Doce, e no plantio de eucalipto.
Para a base florestal está previsto investimento de US$ 400
milhões. A expectativa é que dois anos antes dos eucaliptos
serem cortados seja iniciada a produção na nova unidade.
Apesar
de a crise resultar na antecipação das paradas de
manutenção de alguma empresas do setor, a Cenibra
contina operando com 100% da capacidade instalada. Conforme o balanço
da companhia, no ano passado a produção foi de cerca
de 1,158 milhão de toneladas. A meta da indústria
era alcançar 1,140 milhão de toneladas.
ALINE
LUZ
Fonte:
Diário do Comércio
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