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Papel
certificado toma lugar do reciclado
15/04/2009 - O consumo de papel reciclado - que já foi considerado
símbolo do "ecologicamente correto"-, está
em queda. Aos poucos, seu uso está sendo substituído
por papéis com outros selos de sustentabilidade, como o FSC,
que atesta que o produto vem de florestas plantadas, e o Carbon
Footprint - que informa ao consumidor o total de carbono que o produto
emite na atmosfera.
A mudança
é fruto da redução de custos por parte dos
grandes consumidores de papel e também da melhora dos padrões
ambientais da indústria papeleira, por exigência de
clientes internacionais. "O papel branco de origem certificada
é equivalente ao papel reciclado, em termos de impacto ambiental,
pois ambos têm origem em florestas plantadas", afirma
Elizabeth de Carvalhaes, diretora da Bracelpa, entidade que reúne
fabricantes de celulose e papel. Além disso, a crise internacional
colocou um freio na demanda por papel em geral, entre eles o reciclado.
"Desde
janeiro, a demanda por papéis para imprimir e escrever caiu
25%. A demanda pelo reciclado teve queda semelhante", diz Elizabeth.
O mercado nacional de papéis para imprimir e escrever é
de 1,2 milhão de toneladas/ano, das quais 10% são
papel reciclado.
Mesmo
empresas que foram precursoras no uso em grande escala do papel
reciclado, como a fabricante de cosméticos Natura e o Banco
Real, já reduziram o uso desse papel. No ano passado, a Natura
aboliu o reciclado dos seus catálogos, que passaram a ser
impressos em papel couché, e agora o fará no relatório
anual de resultados.
De
acordo com Marcelo Soderi, gerente de comunicação
da Natura, a troca foi motivada por critérios ambientais
e redução de custos. "Usar papel reciclado foi
um diferencial de mercado. Hoje, não é mais."
Foi
o mesmo raciocínio do Banco Real, que restringiu o uso do
papel reciclado para material promocional e talões de cheques.
Nos escritórios, o papel branco voltou à cena, causando
estranheza nos funcionários, conta Linda Murosawa, superintendente
do grupo Santander. "Em 2005, quando ampliamos o uso do reciclado,
havia poucos fornecedores de papel branco certificados", diz,
ponderando que o custo também pesou para a redução
do uso.
Nova
tendência
De olho na demanda por papéis com selo verde, a Votorantim
Celulose e Papel (VCP) fez o mapeamento dos gases de efeito estufa
do processo de produção de sua fábrica em Jacareí
(SP) e será a primeira no País a ostentar o selo Carbon
Footprint - além dela, só a fabricante norueguesa
Sodra possui a certificação. "O uso de papel
com selos de bom manejo florestal já está consolidado.
A próxima demanda será pelo selo de emissões
de carbono, e nos antecipamos", diz José Luciano Penido,
diretor-presidente da VCP. A Suzano, que detém a maior fatia
do mercado de papel reciclado, também já exibe um
selo de neutralização das emissões.
Fonte:
O Estado de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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