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Lei
ambiental faz SC desafiar ministro
16/04/2009 - O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira
(PMDB), disse que a Polícia Militar irá defender os
agricultores de seu Estado caso o governo federal mantenha a posição
de criminalizar ou prender quem plantar a menos de 30 metros de
margens de rios.
Uma
lei sancionada nesta semana pelo governador, com amplo apoio dos
agricultores e objeção de ambientalistas, prevê
a redução da faixa de preservação ao
longo de cursos d'água de 30 metros (como determina lei federal)
para até 5 metros.
Os
ambientalistas entendem que a nova regulamentação,
além de colocar em risco matas ciliares, pode contribuir
para enchentes e soterramentos, como os que mataram 135 pessoas
em novembro do ano passado no Estado.
A lei
estadual também provocou reação forte no ministro
do Meio Ambiente, Carlos Minc, que ordenou que o Ibama multe e prenda
quem a seguir.
Em
contrapartida, o governador disse que "a Polícia Militar
vai proteger os nossos cidadãos (...) e vai garantir a aplicação
de uma lei democrática".
Luiz
Henrique, que esteve ontem em São Paulo na feira Intermodal,
no Transamérica Expo Center, chamou a atitude do ministro
de "bravata". "Isso é muito próprio
de ministros do tempo ditatorial. Nós não estamos
mais na ditadura, como é que se vai ameaçar agricultores,
homens honestos?"
Ele
argumenta que "a Constituição Federal estabelece
no artigo 24, inciso 6º, que o Estado tem competência
concorrente com a União para legislar sobre matéria
ambiental".
Há,
no entanto, quem argumente, como a ex-ministra e senadora Marina
Silva, que a lei estadual não pode ser mais permissiva que
a federal.
Segundo
dados da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais, as três cidades campeãs
de desmatamento de mata atlântica entre 2005 e 2007 estão
em Santa Catarina: Mafra, Itaiópolis e Santa Cecília.
Juntas, elas destruíram no período o equivalente a
5.382 campos de futebol.
O governador
se defende, dizendo que o Estado é o que possui maior "cobertura
florestal de mata atlântica" do país. "Isso
é uma balela. Eu a convido a ir a Santa Catarina, ponho um
helicóptero para você viajar e você nunca vai
ver tanto verde", afirmou Luiz Henrique.
Ele
nega que o desmatamento e a ocupação de áreas
de morro e de margens de rio tenham causado a tragédia recente.
"O que houve foi um processo de chuvas intermitentes durante
cinco meses, a terra amoleceu e virou sorvete."
Fonte:
Folha de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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