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Exportadoras
têm receita maior em plena crise
07/04/2009 - A desvalorização do real ante
o dólar, que ultrapassou o índice de 30% desde o início
da crise, tem animado empresas exportadoras, que veem nesse fato
oportunidade para gerar mais receita em tempos de restrição
de crédito. Um dos motivos é a retomada da competitividade
dos produtos brasileiros no exterior, que mesmo com a queda do preço
na moeda norte-americana, ajudou a sustentar o aumento da receita
em reais. Esse é o caso da Suzano Papel e Celulose, que fechou
o ano com R$ 2,2 bi em caixa e da fabricante de eletrodomésticos
Mabe, que exportava cerca de 12% de sua produção em
2006, e que após forte retração sentiu a retomada
e elevou esse percentual, mesmo com a expansão da produção
total em cerca de 50%.
Esses
fatores se refletiram no desempenho da balança comercial
de março, divulgada pelo Ministério de Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O saldo totalizou
US$ 1,7 bi, valor 79,3% superior ao registrado em março de
2008 (US$ 988 milhões). Na primeira semana de abril, com
apenas três dias úteis, a balança comercial
apresentou superávit de US$ 588 milhões, crescimento
de 8,7% em relação ao mês passado.
"A
desvalorização cambial de mais de 30%, em geral, é
benéfica para o exportador, pois tem preços competitivos",
afirmou diretor de Estratégia, Novos Negócios e Relações
com Investidores da Suzano, André Dorf. "No mercado
de celulose o preço caiu de US$ 850 para US$ 500 por tonelada,
mesmo com essa queda, em função do câmbio, os
produtores não tiveram perdas tão grandes, principalmente
quando o assunto é commodity, incluindo ainda, metais",
exemplificou o executivo.
Essa
foi a percepção do especialista em papel e celulose
da Tendências Consultoria, Bruno Rezende, que classificou
2008 como um bom ano para as empresas do setor no Brasil. No ano
passado, mesmo com as quedas do último trimestre a celulose
valorizou 12%, e as exportações de celulose, aumentaram
9,6% em volume e 30% em receita.
Esse
cenário positivo foi sentido também por indústrias
de transformação, um exemplo é a subsidiária
brasileira da multinacional mexicana Mabe, que, no Brasil, detém
as marcas Dako, GE e Mabe. De acordo com o presidente da companhia,
Patrício Mendizabal, a empresa sentiu um aumento da receita
em função da retomada da competitividade dos produtos
da empresa.
Segundo ele, as vendas que são feitas no mercado internacional
e que atendem, principalmente, a África, Europa e América
Latina, estavam em um patamar de 12% da produção há
três anos, antes da valorização da moeda brasileira
ante a norte-americana. Porém, esse índice caiu para
6% durante o período em que o real ficou em R$ 1,70 para
US$ 1. "Agora com o atual nível de câmbio as vendas
subiram", disse Mendizabal. "O índice de exportação
subiu para 10%. Essa parcela ainda é menor do que em 2006
mas em unidades aumentou, pois a produção chegou a
3 milhões de eletrodomésticos", comemorou.
Cobrança
Esses números são vistos como positivos pelo economista
e presidente da Associação Brasileira de Comércio
Exterior (Abracex), Roberto Segatto. Porém, ele cobra alguma
medida mais enérgica do governo, em especial do Itamaraty
para a abertura de novos mercados.
"Estive
em diversas feiras e a atuação do Itamaraty é
ridícula, não estão preparados para divulgar
nossos produtos pelo mundo", esbravejou Segatto que apontou
a África, países árabes e asiáticos
como mercados que o País precisa explorar melhor. Segundo
o economista, é necessário que o governo brasileiro
tome medidas para incentivar as exportações das pequenas
e microempresas a um nível mais parecido com o de países
como a Itália, que de acordo com ele, é de 70% do
total vendido no mercado internacional. No Brasil, esse nível
está em 3,5% a 4%.
Para
o presidente da associação, a competitividade dos
produtos brasileiros melhorou muito em função do câmbio.
Porém, ele lembra que o resultado poderia ser incentivado
mais ainda com a reforma tributária e uma sensível
redução dos impostos, desde os trabalhistas quanto
aqueles que incidem sob os investimentos em maquinários.
Dentre os exemplos ele citou a redução do IPI para
os automóveis no Brasil, que levaram ao recorde de vendas
no primeiro trimestre deste ano, e o nível de tributação
e de encargos na China e na Índia, que não passam
de um dígito.
Fonte:
DCI. Adaptado por Celulose Online
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