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Fabricantes
de celulose freiam investimentos
02/04/2009 - Além de encabeçar a lista dos maiores
prejuízos do ano anterior, com a Aracruz, as indústrias
de papel e celulose são as mais numerosas no ranking elaborado
pela consultoria Economática. O prejuízo líquido
somado das quatro maiores empresas do setor - Aracruz, Votorantim
Celulose e Papel (VCP), Klabin e Suzano - chegou a R$ 6,3 bilhões.
O resultado
contábil negativo se deve principalmente ao endividamento
que as empresas tomaram em dólares para ampliar a capacidade
produtiva, de acordo com o economista Clodoir Vieira, da corretora
Souza Barros. "Com exceção da Aracruz, que fez
apostas de curto prazo, uma boa parte dos prejuízos foi por
causa da valorização cambial", diz. Sozinha,
a Aracruz registrou um prejuízo de R$ 4,2 bilhões,
por causa de operações com derivativos.
Para
Vieira, os resultados do primeiro trimestre de 2009, período
em que o câmbio esteve estabilizado, serão importantes
para avaliar o resultado operacional das empresas.
"A
variação cambial pegou as indústrias no contrapé,
num momento em que se preparavam para investir na ampliação
da capacidade de produção", diz o analista da
corretora Geração Futuro, Felipe Ruppenthal. Segundo
ele, esses prejuízos não representam necessariamente
despesas de caixa.
Ruppenthal
diz que os investimentos devem continuar em 2009, porém num
ritmo menor. "A VCP anunciou início do projeto em Três
Lagoas (MS), e a Suzano também disse que vai manter os investimentos
no Nordeste." Mas vários projetos de expansão,
como o das unidades de Guaiba (RS) e da Veracel, na Bahia, ambos
da Aracruz, já foram suspensos.
O ano
passado foi marcado por dois semestres completamente distintos,
segundo Ruppenthal. "O primeiro veio de um aquecimento do mercado
puxado pela demanda asiática, enquanto o segundo apresentou
redução drástica no consumo", diz. Para
o analista, a recuperação deve ocorrer apenas em 2010.
"Os estoques mundiais e celulose continuam muito altos."
Para
Luiz Otávio Broad, analista da Ágora Corretora, o
primeiro trimestre ainda vai ser difícil para o setor. "Contabilmente
os resultados serão positivos, porque nesse primeiro trimestre
houve uma leve valorização do real", afirma.
Já
Vieira, da Souza Barros, diz que as empresas ainda podem apresentar
prejuízos neste início de ano. "Tudo depende
do aquecimento da economia no período."
Fonte:
Último Segundo. Adaptado por Celulose Online
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