Confiança da indústria avança pelo terceiro mês

01/04/2009 - Mesmo com uma nova alta do nível de confiança, a indústria de transformação sinaliza ainda com um ritmo fraco de atividade. Com uma melhor percepção sobre o nível de demanda interna, aumentou o número de empresários que preveem aumento de produção. Essa mudança, no entanto, não alterou de forma significativa as projeções em relação a emprego e investimentos, que continuam desfavoráveis, para os próximos meses.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu pelo terceiro mês consecutivo. Em março, o indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) avançou 2,2% de fevereiro para março, atingindo 77,9 pontos.

A recuperação foi mais difundida entre os 14 gêneros industriais pesquisados, segundo Aloisio Campelo, o coordenador do núcleo de pesquisas e análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Em fevereiro, a cadeia automobilística evitou uma queda no índice. Na última apuração, além de material de transportes, outros cinco segmentos contribuíram para a alta do ICI em março: química, siderurgia, mecânica, produtos farmacêuticos e vestuário e calçados. Dos quatro setores, apenas bens de capital registrou queda no índice de confiança em março, de 0,5%. A maior alta foi registrada por bens de consumo, que avançou 8,6%, com destaque para os duráveis (8%).

Campelo afirma que, apesar da melhora na confiança da indústria, o índice continua em um patamar abaixo da média histórica, de 99,3 pontos. "A impressão é de o índice começa a se afastar do vale de dezembro de 2008", diz. Naquele mês, o indicador atingiu 74,7 pontos. No entanto, afirma o economista, ainda é cedo para falar uma retomada do emprego e dos investimentos.

O índice de produção superou os 100 pontos, atingindo 107,8 pontos em março. Isso significa que, pela primeira vez desde novembro do ano passado, o número de empresas que esperam aumento da atividade superou a parcela daqueles que projetam uma produção menor nos próximos três meses. "Voltamos ao terreno positivo, mas para sinalizar um ritmo mais forte de atividade o indicador tem de alcançar 120 pontos, a média histórica."

Nesse sentido, a expectativa de uma produção mais elevada não foi suficiente para alterar o quadro de emprego na indústria. O indicador relativo a emprego previsto registrou leve alta, de 82,4 em fevereiro para 84,6 pontos em março. A proporção de empresas com previsão de demissões recuou de 29,7% para 25,2%. Mas também houve diminuição da parcela que pretende contratar, de 12,1% para 9,8%. "O índice parou de piorar. Não há tendência de retorno das contratações. Diminui o ímpeto de demissões", afirma Campelo.

Dos 14 segmentos pesquisados pela FGV, apenas as indústrias de alimentos e química registraram índices acima de 100 pontos. Nos demais, a maior parte das empresas prevê cortes de empregos, com destaque para mecânica, minerais não-metálicos e, apesar da recuperação nos últimos meses, material de transportes.

De uma forma geral, a indústria continua em fase de ajustes de estoques, afirma Campelo. O indicador apresentou alta entre fevereiro e março, passando de 82,6 para 83,9 pontos. "Mas está distante da média histórica (91,9 pontos). Não são todos os segmentos com estoques ajustados", pondera. Dos setores, somente material de transportes e a indústria têxtil apresentaram índices acima da média histórica.

O nível utilização da capacidade instalada da indústria de transformação continua inferior à média de 80% dos anos anteriores. Em março, ficou em 77,7%, ante 77,6% em fevereiro. No mesmo período do ano passado, o percentual estava em 85,9%.

Os empresários do setor estão mais pessimistas em relação à situação do negócios nos próximos seis meses, sinalizando que a retomada dos investimentos ainda está distante. Segundo a FGV, o percentual de empresas que esperaram um cenário melhor caiu de 23,4% para 18% no mês. Para 38,5% dos entrevistados, a previsão é de piora, contra 37,7% em fevereiro. Com isso, o índice caiu de 85,7 para 79,6 pontos em março, a segunda pior apuração da série iniciada em 1995.

O indicador relativo ao nível de demanda interna subiu 71,3 para 74,9 pontos. Para a maior parte das empresas (38%), ela ainda está fraca, mas o percentual de industriais que consideram a demanda doméstica forte subiu de 6% para 13,3% entre fevereiro e março. Por outro lado, a percepção sobre a demanda externa continua em deterioração. Nesse caso, o índice caiu de 60 para 59,8 pontos, com a declaração de 46,9% dos entrevistados de que ela está fraca.

Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online