Setor de C&P passa por reestruturação empresarial

31/03/2009 - Períodos de crise nem sempre significam tempos de maus negócios. Seguindo essa diretriz, o setor de papel e celulose passa por um momento de reorganização empresarial no Brasil. A consolidação da Votorantim Celulose e Papel (VCP) com a Aracruz traçará uma nova capacidade de produção de celulose de fibra curta e criará uma líder global no setor.

"A fusão da VCP com a Aracruz mostra o potencial do Brasil na produção de celulose e posiciona o País entre os maiores players mundiais do setor, o que favorece todas as empresas", afirmou Elizabeth de Carvalhaes, presidente-executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

A empresa que resultará dessa união terá uma capacidade produtiva de quase seis milhões de toneladas anuais de celulose, somando mais de um milhão de hectares de áreas florestais em seis diferentes Estados do País (Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul). Com escala e presença globais, a companhia terá 37% do mercado de celulose de eucalipto, 22% do mercado de fibra curta e 12% do mercado mundial de celulose.

Segundo Leonardo Alves, analista da Link Investimentos, as empresas têm grande potencial de crescimento, "mas tudo dependerá da sobrevivência no curto prazo". Alves destaca que a concorrência no exterior será melhor, o que eleva a credibilidade do setor de papel e celulose brasileiro e ajuda a atrair mais investimentos. "O único problema é o endividamento da Aracruz", disse o analista.

Apesar da composição do setor contar agora com apenas três grandes empresas (Klabin, Suzano e Aracruz e VCP), Alves acredita que ainda há espaço para novas consolidações no médio e no longo prazo. Elizabeth, que também compartilha essa visão, avalia que "outras consolidações do setor resultariam, certamente, em empresas mais robustas e altamente competitivas no mercado internacional".

De acordo com o analista da Link Investimentos, a união da VCP com a Aracruz não é motivo de preocupação para a Suzano, no que diz respeito a perda de participação de mercado. Alves especula, ainda, que a Suzano possa vir a ser alvo da Aracruz e VCP no futuro.

Quanto a Klabin, líder nos mercados de papéis e cartões para embalagens, por atuar em um segmento mais diferenciado, manterá sua posição, uma vez que VCP e Aracruz não pretendem focar suas operações nessa área.

Fonte: InvestNews. Adaptado por Celulose Online