RMBH: desemprego chega a 9,4%
Indicador aumentou 6,6% no mês passado na comparação com janeiro, quando


26/03/2009 - Pelo segundo mês consecutivo, a taxa média de desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) subiu, passando de 8,8% em janeiro para 9,4% em fevereiro, uma alta 6,6%. O corte de 15 mil postos de trabalho no período superou o surgimento de 1 mil vagas destinadas à População Economicamente Ativa (PEA), e garantiu o aumento do indicador.



O contingente de desocupados na RMBH subiu de 229 mil, em janeiro, para 244 mil, em fevereiro. A PEA, calculada em 2,599 milhões de pessoas, se manteve estável. O número de ocupados caiu de 2,369 milhões no primeiro mês deste ano para 2,355 milhões em fevereiro. Os dados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), divulgada ontem pela Fundação João Pinheiro (FJP), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).

A indústria foi o setor que mais demitiu em fevereiro. No mês passado, foram cortados 16 mil postos de trabalho, na comparação com janeiro. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, foi registrada a eliminação de 8 mil empregos.

Segundo o presidente do Conselho de Relações Trabalhistas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Osmani Teixeira de Abreu, o resultado já era esperado. "Com a redução na demanda e o retorno das férias coletivas, não houve outra saída senão as demissões. Como os sindicatos não estão muito abertos a negociar medidas alternativas, como redução de jornada de trabalho e de salários, os empresários têm que demitir", explicou.

De acordo com Teixeira, apesar da recuperação do segmento automotivo, em função da redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre veículos, os demais setores da indústria mineira não registraram retomada.

No comércio da RMBH ocorreram 12 mil dispensas entre janeiro e fevereiro. Quando a comparação é feita com fevereiro de 2008, foram cortados 2 mil postos de trabalho. Já a construção civil eliminou 6 mil empregos no mês passado, em relação ao período anterior. Porém, criou 8 mil vagas em fevereiro, frente o mesmo mês do ano passado.

Serviços - O setor de serviços, influenciado pelos recentes investimentos em call centers, se destacou, ao gerar mais empregos do que demitir em fevereiro. Foram criados 11 mil postos de trabalho no período. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, foram geradas 73 mil vagas.

Do total de ocupações apuradas pela pesquisa, 54,5% estão no setor de serviços; 15,7% na indústria; 15,2% no comércio; 6,5% na construção civil e 8,1% em outros setores.

O rendimento médio real dos ocupados recuou 1,7% em janeiro frente a dezembro, passando de R$ 1.193 para R$ 1.172. Na mesma base de comparação, a queda do salário real médio foi um pouco maior, de 1,9%, chegando a R$ 1.166.

ALINE LUZ

Fonte: Diário do Comércio