Fabricantes de celulose ocupam mercado chinês

25/03/2009 - As fabricantes de celulose no Brasil estão tirando vantagem sobre a forte queda nos preços da commodity nos últimos meses, conseguindo mais espaço nos mercados internacionais, especialmente na Ásia. Mesmo com a redução de quase 50% nos preços praticados internacionalmente desde o início da crise, em razão da queda na demanda, as empresas com produção local estão conseguindo se manter competitivas graças ao baixo custo de produção, o que acelera o processo de alijamento dos tradicionais fabricantes nórdicos e canadenses. Os gordos lucros, contudo, estão longe de voltar.

"Os embarques provenientes da América Latina dobraram, o que fez com que a região ocupasse a posição de principal fornecedor de celulose para a China em janeiro, consequência do gradual processo de substituição de fibras", destacou a Votorantim Celulose e Papel (VCP), em sua projeção para analistas dos resultados do primeiro trimestre do ano. A empresa informou que os embarques da celulose brasileira para a China somaram 917 mil toneladas em janeiro, o que representou alta de 30% sobre igual mês do ano anterior e crescimento de 43% sobre a média de agosto a novembro de 2008.

A substituição de celulose de fibra longa, produzida pelos países frios, pela fibra curta das fabricantes brasileiras já era esperada, mas tomou uma velocidade maior com a redução dos preços no mercado internacional. Com custos de produção acima de US$ 400 a US$ 500 por tonelada, fabricantes da Finlândia, Canadá e até da Suécia estão suspendendo a produção de fábricas ou fechando em definitivo suas unidades em razão da falta de competitividade. De outubro até o fim de abril, a VCP calcula que cerca de 3 milhões de toneladas de celulose deixarão de ser produzidas.

Esse espaço tem sido ocupado pelas fábricas brasileiras. Graças ao avanço nas tecnologias de produção florestal, as empresas brasileiras são consideradas, a depender da taxa cambial, as de mais baixo custo de produção - só perdem para alguns produtores asiáticos em situação menos organizada. A queda nos preços de alguns insumos, como produtos químicos além da desvalorização do real, ajudou também a melhorar a competitividade das empresas. "A receita ficou praticamente inalterada em reais", disse o diretor da Suzano Papel e Celuloso, André Dorf. Segundo a VCP, o custo de produção de uma tonelada de celulose ficará por volta de R$ 520 no primeiro trimestre ou US$ 223 pelo câmbio médio estimado.

Embora os fabricantes brasileiros estão conseguindo obter maior participação no mercado, os preços continuam em níveis bem abaixo dos praticados antes da crise. Na Ásia, as cotações quase alcançaram a US$ 800 até o início dos Jogos Olímpicos em Pequim, caindo drasticamente para quase à metade em pouco tempo com o estouro da crise. Segundo dados da Foex, empresa finlandesa, que monitora os mercados internacionais, os preços já caíram quase US$ 50 neste ano, chegando a US$ 392 por tonelada. A Foex vê, contudo, pela primeira vez, desde que lançou um índice para o acompanhamento do mercado chinês, uma ligeira melhora. Os preços na última semana evoluíram US$ 2,66, em razão dos pequenos aumentos nos custos do frete, considerados baixos, e da desvalorização do dólar.

A região asiática tem sido a grande responsável pelas grandes taxas de crescimento, mas respondem por 18% dos negócios com celulose, diz Otávio Pontes, vice-presidente da sueco-finlandesa Stora Enso na América Latina, que controla metade da Veracel, fabricante de celulose no sul da Bahia. Segundo ele, o Brasil exporta metade de sua produção para a Europa. "A volta dos preços depende do comportamento da demanda na Europa", região mais afetada pela crise econômica, disse. "A Ásia deve responder primeiro com a recuperação de preços", afirmou o presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto, que não vê sinais de recuperação nos preços.

A Suzano divulgou prejuízo de R$ 495 milhões em razão do impacto da variação da desvalorização do real. A fabricante manteve intacto o plano de novas fábricas para o Maranhão e Piauí, a partir de 2013 e 2014, mas reviu o prazo de otimização da unidade da Bahia (mais 400 mil toneladas), que deve ser atrasada até o fim do ano.

Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online