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Indicadores
apontam reação lenta da indústria
23/03/2009 - Após acumular uma queda de 28,9% entre novembro
e janeiro, na comparação com o mesmo período
anterior, a indústria mostra sinais de recuperação,
embora ainda lenta.
Alguns
indicadores, como o fluxo de caminhões nas estradas, o consumo
de energia e a produção de veículos, apontam
para um um incremento na produção industrial em fevereiro,
dando sequência a um pequeno alento já sentido no mês
anterior.
Em
fevereiro, o movimento de caminhões nas estradas teve alta
de 2,1% ante janeiro. Já o consumo médio diário
de energia elétrica aumentou 2,68%, e a produção
de veículos, 9%, sempre na mesma comparação.
O resultado
positivo, porém, ocorre apenas na ponta. Na comparação
com o desempenho de fevereiro do ano passado, as quedas são
expressivas -8%, 0,5% e 20,6%, respectivamente-, o que evidencia
que a indústria continua longe dos níveis anteriores
à crise.
A continuar
no atual ritmo, a produção da indústria deve
alcançar neste mês o mesmo patamar em que estava em
novembro passado, ainda 8,5% abaixo de setembro, quando atingiu
o pico de 2008, de acordo com a avaliação do economista
da LCA Consultores Francisco Pessoa.
"Apesar
da incerteza provocada pela crise, podemos dizer que a indústria
está começando a se recuperar, ainda que a um passo
lento", afirma Pessoa. Em janeiro, a produção
industrial medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) já havia avançado 2,3% ante dezembro.
Em relação a janeiro de 2008, porém, o declínio
foi de 17,2%.
Parte
do "respiro" na indústria agora deve-se à
operação de ajuste de estoques nas empresas, agora
já em níveis mais compatíveis com a atual demanda,
afirma Pessoa.
Na
análise do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial), os dados positivos de fevereiro não induzem
à interpretação de que os impactos da crise
global no país estejam se dissipando. Mas indicam manutenção
do nível de atividade enquanto a redução da
taxa de juros não surte o efeito de reanimar a economia.
Quedas
menores
"O que devemos ver daqui para a frente são quedas menores.
Mas não dá para falar em uma trajetória consistente
de recuperação", diz Rogério César
Souza, economista do Iedi.
Para
o professor de economia da Unicamp e ex-secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda, Júlio Gomes
de Almeida, a indústria agora passa por uma retomada em face
ao "exagero" do corte da produção nos últimos
meses do ano passado. Em dezembro, por exemplo, o volume de veículos
produzidos caiu 46,2% na comparação com novembro.
"Em
geral, estamos diante de um quadro menos ruim. Mas é preciso
lembrar que há setores, como o de construção
civil, que continuam em queda livre."
Fonte:
Folha de S. Paulo. Adaptado por Celulose Online
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