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Brasil
terá inventário sobre emissão de gases
18/03/2009 - Até o fim deste ano o Brasil deverá conhecer
seu perfil real de emissões de gases do efeito-estufa. É
este o prazo para que saia o segundo inventário nacional,
uma espécie de retrato da contribuição do país
ao aquecimento global, por setores e por volume. O estudo traçará
um panorama de 1990 a 2005, mas no caso do desmatamento os dados
chegarão apenas até 2002.
O anúncio
foi feito ontem por Newton Paciornik, o coordenador técnico
do primeiro inventário de emissões de gases-estufa
brasileiro lançado em 2004, e responsável pela nova
edição. "Estamos em pleno andamento do trabalho",
disse a uma plateia de técnicos reunidos no auditório
da Cetesb, a agência ambiental paulista, durante seminário
sobre o tema. "Até meados do ano queremos ter todos
os pareceres, colocá-los em discussão nacional e a
expectativa é termos o inventário no fim do ano."
Segundo
Paciornik, os dados relativos à mudança no "uso
da terra" - o jargão que define as alterações
na cobertura vegetal natural causadas, por exemplo, pela pecuária
ou agricultura - só chegarão até 2002, porque
"temos que otimizar os recursos, que são limitados,
e distribuí-los da melhor maneira possível".
O desmatamento é o ponto fraco do Brasil quando se trata
de aquecimento global e o único inventário brasileiro
traz dados de 1994. Foi ali que se cravou a informação
que o desmatamento responde por 75% das emissões brasileiras.
"Só acho 2002 muito defasado", reagiu Fabio Feldmann,
secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças
Climáticas Globais e de Biodiversidade. "Teremos distorções
no inventário em função disso."
Todos
os países signatários da Convenção do
Clima têm que apresentar inventários de emissões
de gases-estufa. As nações ricas, com metas de corte
de emissões definidas no Protocolo de Kyoto, devem fazer
este relato todos os anos; os países em desenvolvimento,
como o Brasil, apenas periodicamente. Contam, para isso, com recursos
do GEF, um fundo financiado pelas nações industrializadas.
Com este dinheiro produzem o inventário e também a
Comunicação Nacional, uma informação
mais ampla onde se tornam conhecidas todas as ações
que um país está tomando para combater a mudança
climática. Paciornik, do Ministério da Ciência
e Tecnologia, adiantou que "já estamos negociando com
o GEF os valores para a 3ª Comunicação Nacional",
o que atualizaria os dados.
O inventário
é fundamental para que se entenda quem contribui com o quê
e, assim, traçar políticas públicas que procurem
reduzir as emissões. Um estudo bem feito, num país
das dimensões do Brasil, é complexo. O Estado de São
Paulo está iniciando o seu, que deve ficar pronto só
em 2010. "Estamos fazendo uma mera lição de casa
que, francamente falando, talvez já devêssemos ter
feito", disse, numa espécie de autocrítica, o
secretário estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano.
"Fico impressionado com a fragilidade das nossas teses em função
da precariedade das nossas bases de dados."
Um
exemplo está na dificuldade de definir as emissões
de gases-estufa produzidas no tratamento de resíduos e efluentes.
Pelos dados do IBGE, o Brasil produz 228 mil toneladas de resíduos
por dia. Pelas estatísticas da associação das
empresas do setor, a Abrelpe, o volume é de 140 mil toneladas.
"Os dados do IBGE, neste caso, não são a melhor
informação", diz João Wagner da Silva
Alves, responsável pela análise do setor na Cetesb.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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