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Demora
no licenciamento trava investimento
05/03/2009 - Frente à crise financeira, os entraves para
a obtenção de licenciamento ambiental significam freios
nos investimentos do setor privado. Entre os problemas, a demora
na análise dos processos, o custo elevado para cumprir as
obrigações exigidas e a dificuldade de identificar
os critérios técnicos exigidos pelos órgãos
ambientais são destaques. Essas dificuldades, porém,
geraram outra: aumentaram as cobranças para liberação
de crédito para projetos que precisam de documentos.
"Instituições
financeiras começaram a responder a processos civis por danos
ambientais em responsabilidade solidária e por isso, cresceram
as exigências para concessão de crédito. Algumas
vinculam o empréstimo a licença ambiental. Assim,
o processo demora muito mais", explica Svetlana Maria de Miranda,
da Azevedo Sette Advogados.
Morosidade,
aliás, é o item que mais preocupa os empresários.
"O licenciamento ambiental tem três fases e a cada informação
complementar solicitada, há suspensão do processo.
Isso não é factível para um empreendimento.
O atraso no cronograma dos projetos provoca um efeito dominó
de perdas, porque o empresário não consegue cumprir
os contratos com fornecedores", diz.
Na
última sondagem sobre o tema, feita pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI), em 2007, a demora na análise
dos processos de licenciamento ambiental aparece como o principal
problema enfrentado (66,9%) pelas empresas consultadas. Em segundo
lugar, destacam-se, com 52%, os custos com investimentos necessários
para cumprir às exigências dos órgãos
ambientais. Em terceiro lugar, a dificuldade de identificar e atender
os critérios técnicos exigidos. Entre os setores industriais,
os que mais registraram problemas em relação ao tema
foram: álcool (100%), refino de petróleo (90,9%) e
minerais não metálicos (90,1%).
O setor
privado, no entanto, se movimenta em busca de avanços no
processo de obtenção da licença ambiental.
Em São Paulo, o Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema)
da Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) propôs a elaboração de um estudo
identificar os para mapear o circuito do licenciamento, e calcular
as perdas resultantes do tempo gasto para obtenção
das licenças no âmbito estadual. "Ao anunciar
o Orçamento para 1999, o governo paulista previa investimentos
no valor de R$ 4 bilhões, mas para esse mesmo período,
aguardavam autorização na Secretaria de Meio Ambiente
investimentos que chegavam ao montante de R$ 17 bilhões",
conta Walter Lazzarini, presidente do Cosema.
Segundo
Lazzarini, o estudo vai abranger a análise dos 50 maiores
projetos em tramitação na Secretaria do Meio Ambiente,
nos últimos cinco anos. A proposta do Conselho é comprovar
quanto o setor privado deixa de investir por atrasos no licenciamento
ambiental, com base nos empreendimentos mais significativos em volume
de recursos e geração de empregos. "Não
tenho dúvida, que eventualmente, esse trabalho provoque uma
reestruturação da secretaria do meio ambiente com
várias proposta para o melhora do processo."
Minas
Gerais já começou a fazer o dever de casa. Há
dois anos, o governo mineiro implantou uma série de medidas
para agilizar os processos de licenciamento ambiental. "Hoje
temos uma situação diferenciada dos outros estados,
o governo descentralizou as decisões do Conselho Estadual
do Meio Ambiente e criou 10 regionais e nove superintendências
do órgão", conta Wagner Soares Costa, gerente
de meio ambiente da Federação das Indústrias
do Estado de Minas Gerais (Feimg). "Dessa forma, os técnicos
do órgão ambiental se apropriaram da mecânica
econômica da região e os pareceres ficam mais próximos
da realidade", explica Costa.
Se
não resolveu todos os obstáculos, o gerente de Meio
Ambiente da Feimg garante que as medidas facilitaram. "Para
empreendimentos menores e menos complexo, o licenciamento que sairia
no prazo de um ano a um ano e meio, agora pode sair em seis meses",
diz Outros entraves como custo e conceituação da legislação,
no entanto, persistem. "O que é um impacto ambiental
significativo? Isso é necessário ser discutido para
definir o grau de estudo necessário para realização
do projeto", afirma Costa.
Em
Minas, segundo a advogada do Azevedo Sette, foi feito também
um convênio com a Polícia Militar para que ela execute
a função de fiscal - o que resultou no aumento de
autuações. Para Miranda, uma maneira de tornar a legislação
ambiental mais eficiente seria a descentralização
da fiscalização, que hoje está muito concentrada
nas capitais.
Fonte:
DCI. Adaptado por Celulose Online
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