Alta da atividade industrial não é fim da crise

04/03/2009 - A alta do nível de atividade da indústria paulista de 6,2% em janeiro contra dezembro do ano passado não é um sinal de que o setor já começou a sair do fundo do poço gerado pela crise financeira global, disse o diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp (Federação da Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Francini.

Para ele, o crescimento do indicador de janeiro pode ser visto como um ajuste após o "susto" tomado pelos industriais com o agravamento da crise, que resultou na queda de cerca de 30% no nível de atividade desde outubro - fazendo com que voltasse ao mesmo patamar do final de 2006.

Segundo o economista, o "susto" dos industriais nos últimos meses de 2008 foi causado por um "excesso de otimismo" antes da crise mostrar seu primeiro efeito prático, que foi a redução repentina do crédito. Porém, essa consciência não significa retomar a produção, e sim fazer readequações pontuais.

Uma prova disso é que o Sensor Fiesp -- --indicador de perspectivas futuras da indústria paulista-- da segunda quinzena de fevereiro ficou estável na segunda quinzena de fevereiro, a 42,3 pontos, contra 42,4 pontos verificados na primeira quinzena. Um dado abaixo dos 50 pontos indica pessimismo.

Pelas contas de Francini, a indústria paulista teria que crescer 2,1% ao mês a partir de fevereiro caso queira que o INA (Índice do Nível de Atividade) termine 2009 no mesmo nível com que chegou ao final do ano passado.

"Já que aqui a crise chegou mais tarde, já conhecemos a sintomatologia da crise. Primeiro cortou crédito, depois afeta emprego, e depois atinge a renda e a demanda. Não percorremos ainda toda a moléstia."

Fonte: Folha Online. Adaptado por Celulose Online