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Cai
compra de insumos pela indústria
25/02/2009
- Uma análise mais detalhada da balança comercial
no mês de janeiro revela dois indicadores preocupantes para
a indústria brasileira: forte queda das exportações
do setor e das compras de insumos no exterior. A quantidade exportada
de manufaturados sofreu um tombo de 38,4% em janeiro em relação
a janeiro de 2008. Na mesma comparação, o volume importado
de bens intermediários caiu 28,5%. Os dados são da
Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior
(Funcex).
A queda
nas exportações de manufaturados foi a mais significativa
entre as classes de produtos e ajudou a provocar a baixa de 24,2%
no volume total exportado pelo país em janeiro. Nos básicos,
o recuo foi de 5,7% e, nos semimanufaturados, de 17,9%.
"É
uma consequência inevitável da recessão nos
parceiros", disse Júlio Callegari, economista do J.P.
Morgan. O banco estima queda de 2% para a economia dos Estados Unidos
em 2009 e de 0,8% para a América Latina, regiões que
respondem por mais de 70% das exportações brasileiras
de bens industriais.
Para
Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, os dados de janeiro
estão superdimensionados. Ele avalia que as vendas externas
de manufaturados devem cair este ano, mas não tanto. "Com
tamanha incerteza, as empresas não conseguiam fechar os contratos.
Além disso, a desvalorização do câmbio
motivou discussões entre exportadores e importadores",
disse.
Os
economistas do departamento econômico do Bradesco recordam
que os resultados foram ruim em todo o mundo porque o comércio
internacional praticamente parou. Eles ressaltam a queda nas exportações
dos países asiáticos e o fraco movimento do frete
marítimo.
No
acumulado em 12 meses, o volume exportado pelo Brasil também
registra queda: 4,3%. De novo, o recuo é mais significativo
nos manufaturados: 8,2%. Nos semimanufaturados, a baixa é
de 2,4%. Apenas os produtos básicos ainda conseguem se manter
em terreno positivo, com alta de 0,3% na mesma comparação.
Os
economistas enxergam três motivos para a forte queda no volume
importado de insumos e matérias-primas para a indústria:
a crise prejudicou a produção, as empresas estão
consumindo seus estoques de bens intermediários, e há
alguma substituição de bens importados por nacionais.
"É
uma conjunção desses fatores", disse Callegari.
Ele explica que os fabricantes brasileiros de bens intermediários,
como aço ou celulose, estão oferecendo descontos para
vender o produto localmente, pois o mercado exterior está
ainda mais fraco. Somando a isso a desvalorização
do câmbio, o insumo brasileiro pode se tornar mais competitivo
e suplantar o importado.
Para
os economistas do Bradesco, a produção industrial
brasileira se ajustou a um novo patamar por conta do efeito da crise
e a queda na importação de bens intermediários
é compatível com essa realidade. "A produção
voltou para o nível do último trimestre de 2007. É
como se perdêssemos um ano de crescimento", disse uma
fonte do banco.
"Em
meio a uma desaceleração tão forte quanto essa,
é difícil para as empresas determinarem o nível
certo de estoques", disse Pessoa. Ele avalia que a importação
de bens intermediários pode se recuperar um pouco nos próximos
meses e até terminar o ano com uma leve alta.
O economista
também alerta que um dos efeitos da queda da exportação
de manufaturados é a redução da importação
de intermediários, pois produtos importantes, como aviões
e celulares, utilizam um percentual significativo de peças
importadas.
Os
dados de janeiro apontam outro indicador preocupante para a balança
comercial. Os preços das exportações brasileiras
caíram 3,1% em relação a janeiro de 2008, primeira
queda nessa comparação desde dezembro de 2002. Em
relação ao pico de setembro de 2008, os preços
das exportações, puxados pelas commodities, recuaram
23,3% e atingiram o mesmo patamar do fim de 2007. É um sinal
de que os preços deixaram de sustentar o resultado das exportações
brasileiras. "A queda dos preços de exportação
do Brasil está só começando", avalia Fábio
Silveira, da RC Consultores. Ele recorda que, nos próximos
meses, a balança sentirá o impacto da redução
do preço do minério de ferro e das vendas de uma nova
safra de soja, com cotações mais baixas.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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